Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

PLAYMOBLOG

Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

PLAYMOBLOG

Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

O totem novo

20170719_195545

 Kayke tem em mãos uma tarefa árdua: daqui a alguns dias celebrar-se-á a festa das nove luas e a tribo ainda não tem totem, fruto de um fogo florestal que deflagrou e que inclusivamente destruiu parte do acampamento.

A tribo depositou em Kayke a responsabilidade de talhar um novo totem, reconhecendo a sua tremenda habilidade. É uma honra do mais alto nível e ele não quer defraudar as expectativas de todos.

Primeiro foi preciso encontrar a árvore certa: o tamanho em primeiro lugar e em segundo a maciez da madeira, para se poder trabalhar.

Encontrada a àrvore, foi preciso consultar os anciãos e escolher com eles os símbolos a entalhar, representativos da história da tribo: o grande chefe Águia Silenciosa, que arrancou escalpes em grande número e que defendeu os territórios da tribo desde tenra idade, o feiticeiro Raoni que salvou a tribo de uma doença particularmente mortífera e claro Anahí, a índia mais bela e que originara a maior descendência da tribo, entre tantos outros feitos.

O trabalho corre bem a Kayke. Está certo que completará a sua tarefa e que a tribo erguerá novamente o seu totem na noite de lua cheia do festival das nove luas.

Spaceman

20170715_121149

A reparação do módulo lunar não está a ser nada fácil. A reserva de oxigénio começa a escassear e ainda há algum trabalho até que a reparação esteja concluída. A respiração de Igor acelera, por vezes as mãos tremem-lhe, tem a boca seca e poderia jurar que o coração se mudara para a sua cabeça. Cada batida é quase ensurdecedora.

Todo o treino que teve dá-lhe a certeza de que tudo o que está a fazer está bem feito, por isso resta-lhe acalmar os nervos e obrigar-se a respirar pausadamente até poder regressar à nave para finalmente respirar às golfadas.

A última vez que se sentira assim, tão nervoso, fora há 2 meses atrás, ao pedir a mão de Ekateryna, no Jardim das Estrelas. Nunca como então o coração lhe batera tão forte, ao segurar a mão dela e colocar-lhe no dedo um anel.... E num ápice a reparação ficou concluída. Faltava um simples o-ring para tudo ficar bem. A recordação da sua doce Ekateryna, ajudara-o nesta tarefa.

Agora é voltar para a nave e respirar à vontade.

Fado

 

IMG_20170214_175849

Calou-se o meu coração

Ferido de saudade

Memórias que doem

Um fogo que se apagou, na verdade

 

Fica comigo gritam meus olhos

Mas soltas amarras e partes de mim

Leva-te para longe o vento

E a chuva invade-me assim

 

De mansinho chega a noite

Meu corpo pede que embarques no meu

Que me embales em ti

A contemplar a lua que nasceu

 

Mão estendida

Rosto ferido

Abraço vazio

Sorriso perdido

 

Calou-se o meu coração

Ferido de saudade

Memórias que doem

Um fogo que se apagou, na verdade

 

Perdida da floresta

 IMG_20170214_160317

A casa de Karine fica mesmo na orla da velha floresta. É a última casa da aldeia, onde ainda habita alguém e parece que a qualquer momento vai ser engolida pelos ramos dos abetos frondosos ou submersa pela erva que desponta com vigor após cada chuvada primaveril.

Desde pequenita que Karine brinca por ali, embrenhando-se cada vez mais profundamente na floresta à medida que foi crescendo. Karine sabe dizer pelo som que o vento faz nos ramos das grande árvores se virá chuva da grossa, ou apenas alguns salpicos. O canto dos pássaros avisa-a quando chegará o calor ou o frio, consoante a estação do ano. Karine consegue sentir o fim do Inverno pela vibração que sente através dos pés descalços, quando toda a floresta se espreguiça, desperta e retoma a vida para receber a Primavera.

A floresta não tem trilhos definidos. Karine dispensa-os, pois reconhece cada árvore, sabe onde estão os esconderijos dos ursos que ali vivem e as tocas de quase todas as raposas. Sabe a posição de cada rochedo e onde correm os regatos mais bonitos.

A floresta reconhece-a quando Karine por lá passeia cantarolando baixinho, fazendo-lhe cócegas com aqueles pés descalços saltitando por aqui e por ali. A floresta deixa-se assim percorrer e que Karine desvende os seus segredos. Como naquele dia em que a pequena adormeceu exausta num recanto abrigado e acordou com o nariz molhado de um unicórnio na face, avisando-a que em breve trovejaria e que seria melhor ela voltar para casa.

São Valentim what else?

 

IMG_20170213_205407

Perguntaram-me um dia destes se acreditava no amor. Respondi sem hesitar que sim. Mas depois tive que pensar. Porque sei que há histórias de amor que não têm finais felizes e que nem todas as pessoas são felizes. Tive que me questionar se estes factos me faziam deixar de acreditar...

A mim o Cupido sempre me pareceu meio tonto e um tanto ou quanto demente para acertar como deve de ser com aquelas pequenas flechas (pequenas demais para serem levadas a sério, na minha opinião) e tornar corações saturados de rotinas e de quotidianos difíceis, em corações apaixonados. Tanta lamechice só lhe pode toldar a visão e por isso, começo a achar, que falta a pontaria ao pequeno ser, não tão poucas vezes quanto isso.

E as histórias de amor ficam assim, incompletas. Os supostos apaixonados ficam meio abananados, sem saber o que fazer, trocando a espada com que deveriam lutar pela sua dama, por incertezas. Elas, as supostas apaixonadas ficam consumidas pelas dúvidas e sem forças para lutar com as incertezas alheias. Ambos com o coração atingido por aquelas pequenas setas, cujas feridas ali permanecem, mas incapazes de viver o amor.

Algumas vezes porém o rapazito das asas lá acerta e há quem viva verdadeiros contos de fadas. Felizardos esses! Conheço poucos, mas os suficientes para acreditar no amor. Passei foi a ter a certeza de que o amor não é para todos.

- Mariiia, ó Mariiiiaaaa! Onde é que o raça da mulher se enfiou? Já está a falar sozinha... Parvoíces por certo!! As cabras precisam de ser ordenhadas, o pão está por fazer e o meu almoço nem vê-lo!! Ela que ve venha cá falar que temos que tornar a nossa vida especial que eu perco as estribeiras! Oh lá se perco!

Sailors

IMG_2890

Pela mão do avô pisaram pela primeira vez descalços as pedras húmidas do cais. Foi a voz ríspida do avô que os ensinou a caçar as velas e a ter atenção à retranca sempre que a embarcação mudava de direção. Foi a paixão do avô pelo mar que se infiltrou em cada pedaço do seu corpo e os fez dizer desde pequeninos, que queriam ser marinheiros. Foi o olhar apaixonado do avô que lhes mostrou a beleza do mar, fosse dia de sol ou de temporal. Em bebés, muitas foram as noites em que só o avô os conseguia adormecer quando enroscados uns nos outros, no fundo do barco, eram embalados pelas ondas do mar. 

Hoje terminaram o seu curso na Escola Naval, ambos com a melhor nota da sua turma. Hoje são marinheiros e estão prestes a viver a sua vida como sempre quiseram: a balouçar nas ondas do mar.

O capitão

IMG_2896

Falta-lhe o rosto a saber a sal e o cabelo encrespado pelo mar. Os sapatos magoam-lhe os pés e as meias fazem-lhe comichão nas pernas. Não foi feito para estar em terra. Vive cada dia na esperança que uma missiva lhe traga uma nova missão. Não tem dificuldade em encontrar tripulação. Todos reconhecem o seu espírito de liderança.

Respitam-no, pois nos dias de ócio no mar, também tira a camisola e luta corpo-a-corpo com os seus homens para afastar o tédio e a tensão. Sabem que mesmo na pior tempestade, é o seu capitão que, amarrado por uma corda, segura o leme e que os conduz para porto seguro. Não admite furtos, nem rixas de amor entre os homens, mandando açoitar impediosamente os prevaricadores sempre que tal acontece.

Perdeu a conta aos lábios que beijou e aos corpos que acariciou, em cada porto em que parou. Há apenas um rosto de cara sardenta que não é capaz de esquecer. O cheiro daqueles cabelos cor-de-fogo perseguem-no nas noites em que o céu está completamente limpo e estrelado.

Gosta de subir ao cesto da gávea, encher o olhar do horizonte infinito e de imediato sente o seu coração a bater ao compasso do balanço do mar.

Oxalá que em breve tenha uma nova missão!

Heartbroken Girl #3

 IMG_2880

Encheste-me o olhar de sonhos.

Numa mão trouxeste raios de sol com que aqueceste cada um dos meus dias.

Na outra, carregaste pedaços de luar que me embalaram em cada noite longe de ti.

Trouxeste contigo o cheiro do mar que lembrava todos os castelos que construímos na areia.

Deixaste os meus bolsos cheios de esperanças e desejos.

Trouxeste contigo uma brisa suave que fez o meu coração voar bem mais alto.

Até que partiste...

Heartbroken girl #2

 IMG_20170120_110625

Sou feliz quando...

a luz do teu olhar é suficiente para guiar o nosso caminho

o teu sorriso basta para me dar força no caminhar

o teu abraço cura todo o cansaço

no teu colo se desmoronam todos os meus receios

me transformas em algo melhor, como por magia

adormeço embalada pelo teu canto

um beijo teu chega para me fazer acreditar

a tua mão na minha me dá coragem para passo a passo, viver, amar!

Poções de amor

 

IMG_2858

Estas poções de amor que me encomendam são cada vez mais difícieis de produzir. O último dragão extinguiu-se há 150 anos. Em breve deixarei de ter escamas para adicionar. Ando aqui a esticar as poucas que ainda tenho. As mandrágoras já só se conseguem encontrar no cume das mais altas montanhas por causa das alterações climáticas. As flores-de-lótus só florescem quando o rei faz anos, devido ao El-Niño andar todo trocado. Cortar os bigodes aos gatos tem que ser uma coisa muito bem feita, que se alguém repara sou alvo de queixa por maus-tratos a animais...

 

Mas continuam a querer o raio das poções de amor. São as mais pedidas, acreditam? Quando me pedem um cataplasma, um xarope, ou determinado chá, para alguma doença esquisita, esperam o tempo que for preciso. Sim, que há algumas coisas que demoram o seu tempo a fazer. Agora, quando me pedem uma poção de amor, já sei que não me largam enquanto não a tiver pronta. Mandam telegramas e pombos-correio a apressar-me. Que precisam muito e muito e muito da poção e que a coisa é urgentíssima. Dizem que lhes falta magia nas suas vidas. Tenho para mim que habita um mágico em cada um de nós e que se dermos o melhor de nós aos outros, a magia acontece. Acho que não é com as minhas poções que as coisas se resolvem, mas se isso os ajudar, farei todas as poções que conseguir.