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PLAYMOBLOG

Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

Irei onde fores

A pequena Bia nasceu há dias. Bate-lhe no pequeno peito um coração livre: mal se tinha nas pequenas patas e já explorava os limites do território. Com pequenas marradas a mãe tentava em vão mantê-la em segurança, mas a Bia teimava em afastar-se mais e mais. 

Foi dos elementos mais novos do rebanho a seguir a sua mãe para o pasto, e quando outros pequenotes ganhavam ainda confiança para trepar, já ela partilhava com a sua mãe a erva mais fresca dos topos mais elevados.

A pequena Bia é destemida, mas são os passos seguros e experientes da sua mãe que lhe indicam o caminho. É ela que lhe mostra em que pedras pode confiar e qual o melhor acesso à erva mais suculenta. A cabrita confia na sua mãe. De olhitos postos nela, trepa com a certeza de que o amor de mãe a protegerá para sempre. A mãe incentiva-a, chamando-a quando esta fica para trás atrapalhada, nalgum troço mais complicado. Por vezes volta a trás uns passos, para que a Bia possa ver como ultrapassar certos obstáculos. E ela lá vai superando cada escolho e conquistando cada topo mais difícil que o anterior. E as duas berram contentes com cada uma destas conquistas!

 

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O batedor

Sempre fui o mais pequeno do meu grupo de amigos. A minha mãe dava em doida a tentar que eu engolisse algumas colheres do pouco que havia para comer. A minha avó dizia que eu comia para sobreviver, que comia apenas o estritamente necessário para me manter vivo. Nem mais, nem menos, somente o necessário.

Na nossa pequena aldeia as hipóteses de ter uma carreira eram mínimas, por isso, sempre que as legiões enviavam emissários para angariar soldados, nós os rapazes da aldeia acorríamos na esperança de um futuro melhor.

Eu lá fui com os meus irmãos mais velhos. Eles e vários dos meus amigos lá iam sendo recrutados para este ou aquele posto. Eu fui ficando com os coxos e os doentes, até que um general, que tinha estado o tempo todo sentado a observar tudo, me perguntou se eu sabia caçar, fazer fogueiras e se tinha por hábito dormir ao relento. Ah e claro perguntou-me também se não me importaria de trabalhar sozinho.

Respondi a tudo com sinceridade e ele deu uma gargalhada, colocou-me a mão em cima do ombro e a partir dali tomou para si a tarefa de me transformar num batedor.

Sim, é isso que sou. Vou à frente da legião. Por vezes avanço meio dia, outras vezes mais tempo. Tenho por missão avaliar o inimigo, seja em povoações a conquistar, ou simplesmente a identifcar ladrõezecos de beira de estrada. Não tenho que exercer força bruta. Deixo isso para os verdadeiros soldados, que avançam após ter informado o meu general da situação a enfrentar, número de inimigos e potenciais perigos. Enquanto eles dão conta do recado, eu fico na rectaguarda, a tomar algumas refeições mais reconfortantes e a descansar o corpo em leitos mais suaves.

Para alguém que não sabe usar a espada que carrega, engano bem, não é?

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