Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

PLAYMOBLOG

Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

PLAYMOBLOG

Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

Caravana

IMG_5510

Eis que a caravana chega ao mercado da cidade!

Foram vários dias a percorrer as aldeias mais distantes do deserto, em busca das mais belas cerâmicas, dos chás mais saborosos ou das tapeçarias mais requintadas. Foram inúmeros os dias em que acamparam mal o sol ameaçava partir, longe de tudo e de todos, suportando o frio da noite no aconchego da fogueira e ao som do alaúde.

A caravana traz consigo o cheiro a animais, a suor e a fumo. Traz a pele tisnada pelo sol e a garganta sedenta de uma bebida fresca. Traz cabelos encrespados, misturados com vento e areia, mas traz também sorrisos imensos que mostram a felicidade da liberdade que só sente quem pode percorrer mundos fantásticos, sem amarras.

Amanhã será dia de expor os artigos que trouxeram e regatear afincadamente cada item. Mas por agora, é preciso descansar, não sem antes tratar dos animais, que tão valentemente resistiram a cada dia. E depois sim, tomar um banho, comer uma refeição de carne fresca, beber até matar a sede e dormir pela primeira vez em muitos dias, numa cama fofa.

Armas

IMG_5503

Num recanto discreto do mercado, contrariamente às restantes bancas, negoceia-se de forma discreta e em voz baixa. O motivo: compram-se armas. 

Aqui, no mercado de uma grande cidade, já é raro fazer negócios deste tipo. São poucos os que as procuram e quem as compra é inclusivamente olhado de soslaio.

Os principais clientes desta mercadoria, são os tuaregues que raramente são vistos por aqui e que passam a maior parte do seu tempo embrenhados no deserto, dirigindo caravanas, ou trabalhando como mercenários em escaramuças entre tribos do deserto profundo.

À passagem dos tuaregues, quase todos se desviam, como se simplesmente tocar nas suas vestes fosse sinónimo de alguma maldição. A verdade é que a sua pele particularmente escura, assim como as suas roupas negras esvoaçantes e as armas que trazem consigo e que não receiam mostrar, provoca na população um sentimento de temor e insegurança.

À sua passagem, ouve-se não só o roçagar das suas vestes, mas um murmúrio de todos quantos sussurram, comentando o motivo de tal presença num mercado sofisticado e evoluído.

Na verdade, os tuaregues emanam uma aura de mistério, aventura e risco. Sem confessarem, muitos são aqueles que têm curiosidade perante este estilo de vida meio obscuro e clandestino.

Akilah e Khalidah

IMG_5500

Já lá vão muitos anos desde que Akilah e Khalidah percorriam as ruas do mercado em liberdade: pés descalços e cabelos ao vento, brincando e jogando enquanto as suas mães faziam as compras.

Mais tarde, já adolescentes, ainda livres sentavam-se junto ao poço e dissertavam sobre que tipo de homem lhe calharia em sorte.

Khalidah sonhava com um príncipe que chegaria numa das caravanas e que a levaria a percorrer o mundo. Também costumava dizer que só casaria, se fosse capaz de ver o futuro nos olhos do rapaz. Recusava-se terminantemente a casar só porque a família assim o determinasse. Fugiria, se assim fosse, dizia ela.

Akilah, de carácter mais submisso, sonhava apenas com um homem bom e que a tratasse bem.

Hoje, Khalidah percorre o país a vender produtos vários. O sonho do príncipe já lá vai distante. Pelo menos ela e o marido têm o mesmo sonho: que a sua filha cresça, educada e informada e sobretudo livre de imposições fundamentalistas. Os olhos de ambos brilham ao falarem na pequena. E isso é o futuro. Khalidah está feliz.

Por seu lado, Akilah casou com o vizinho que conhece desde sempre e que lhe atirava pedras em garotos. Juntos vivem pacatamente, no oásis, educando os dois filhos para a paz e sobretudo bom senso.

Os encontros mensais no mercado servem para as amigas se reverem e renovar os laços de amizade que as unem. Os seus filhos já se conhecem, claro, e hoje são eles que percorrem o mercado em liberdade.

O mercado

IMG_5507

Os sons do mercado do oásis ouvem-se à distância. Os gritos das mulheres, ora regateando preços, ora chamando pelas crianças que insistem em fugir do seu olhar protector. Os sons dos muitos animais que o mercado junta: camelos, burros, ovelhas, cabras, que parecem curiosos uns com os outros e não páram de bradar bem alto. 

E os cheiros: do couro, da madeira, do metal, das especiarias, do azeite, do chá e do fumo...

É uma alegria percorrer o mercado que chega ao oásis uma vez por mês e apreciar todos os produtos que ali são apresentados: um novo tecido, um chá mais apurado, jóias mais bonitas que as do mês anterior. 

Juntam-se neste mercado gentes dos arredores. O tagarelar das mulheres é constante sabendo das novidades de perto e de mais além. Junto ao poço o vai-vem é constante para abastecer a caravana que em breve se fará ao caminho para levar o mercado a outras paragens.

Por agora é hora de regatear preços, elogiar cada produto, arrancar cabelos para conseguir o melhor preço e fazer o melhor negócio. 

Negócios escuros

IMG_2807

Samhir é vendedor de antiguidades em Kalba, a cidade mais próxima das famosas ruínas de El-Sharjah, onde segundo contam as lendas, se escondem preciosos tesouros de reis touareg cuja linhagem há muito se perdeu.

Arat é arqueólogo nas horas vagas. Procura uns tais tesouros perdidos, por conta própria, a horas pouco dignas. É um ladrão de tumbas, na verdade. E ganha a vida vendendo e regateando até à exaustão os preços das peças que vai encontrando, sejam elas de muito ou pouco valor. É um negociante aguerrido que todos conhecem.

Às primeiras horas da aurora, num recanto bem escondido do oásis, Samhir e Arat encontram-se para discutir um negócio. As leis mais antigas dos comerciantes mandam que, em vista de um negócio difícil, se beba chá antes de encetar qualquer negociação. Porém, hoje, ninguém trouxe chá e a negociação começa à sombra de armas que ambos os negociantes empunham. 

Aos seus pés, sobre a areia que começa a aquecer, um escorpião procura um abrigo mais adequado à temperatura que se fará sentir em breve. A sua passagem é um auspício de que as negociações vão ser duras. E não é para menos. Os artefactos em causa, são valiosos e ambos os negociantes o sabem. O clima vai-se tornando mais tenso, à medida que o sol se ergue no céu.

Após duras negociações, ambos retiram algum proveito do encontro. Samhir conseguiu um preço razoável por um dos artigos que pretendia. No entanto, Arat foi irredutível quanto ao preço final de um pote banhado a ouro, para o qual já tem um valor bastante elevado prometido e ao qual Samhir não conseguiu chegar.

O ritual do chá que deveria ter dado início às negociações, será agora realizado num dos salões do oásis, já num clima mais apaziguado e com as armas embainhadas.

Aventuras...

A frescura do oásis sente-se primeiro na pele, mas assim que inspiram o ar impregnado de humidade, sentem-se leves, quase que embriagados, depois de terem suportado dias a fio o inferno do deserto. 

 

Aventureiros natos, amigos de aventuras estranhas e parceiros de descobertas longínquas, Jack e Melissa nunca tinham enfrentado um desafio assim. Certos de que a sua experiência os levaria a atravessar o deserto com facilidade, foi com relutância que ao fim de alguns dias assumiram que desta vez, o empreendimento estava de facto a ser muito duro.

 

Desta vez, acompanharam uma expedição local, que lhes possibilitava conhecer alguns dos túmulos de reis faraónicos mais escondidos, e por isso menos conhecidos. Seria uma experiência única e a promessa de que poderiam editar um livro com o relato da aventura, fê-los embarcar confiantes na aventura.

 

Mas a inclemência do deserto atingiu-os sem brandura e e a escassez de água, o calor intenso, e a paisagem imutável, deixou-os com a moral muito ferida. Claro que visitaram alguns dos túmulos que pretendiam, mas a passagem da caravana perto do oásis, fê-los repensar os objectivos traçados e questionar a sua contenda. Por agora ficam um dias no oásis. Irão tirar fotografias, entrevistarão os habitantes e reformularão o seu projecto.

 

Mas primeiro que tudo, vão tomar banho e dormir a sesta numa sombra fresca.

 

Má sorte no deserto

É verdade que o deserto é adverso, e aqueles que arriscam demais e menosprezam o que por lá se passa, acabam muitas vezes em maus lençóis. Conheço inúmeras histórias de viajantes, aventureiros ou salteadores, que caíram nas armadilhas das criaturas que vivem no deserto e que fazem dele uma espécie de organismo vivo, com uma vontade muito particular.

 

Uma delas conta que um salteador de tesouros contratou 2 habitantes de um oásis longínquo e que os obrigou a escavar horas a fio sob o intenso sol do deserto. Os coitados estavam tão exaustos quando por fim descobriram o tesouro que encontraram, que nem se aperceberam da avidez mesquinha com que o seu carcereiro os empurrou para o lado e escavou com as próprias mãos o pouco que faltava.

 

Com o que nenhum deles contava era com a areia movediça que estava ali tão perto e onde o maléfico salteador ficou preso, mal deu os primeiros passos cantando vitória com o tesouro nas mãos. Mesmo que quisessem, os pobres prisioneiros não teriam forças para o retirar dali. por isso ali ficaram a vê-lo ser engolido pelo deserto enquanto gritava com todas as suas forças.

 

 

Salteadores!

Ninguém disse que a vida de salteador era fácil, mas a verdade é que de vez em quando compensa!

Primeiro há que passar horas infindáveis enfiado em bibliotecas e passar a pente fino livros, papiros e outros documentos antíquíssimos, muitos deles cobertos por aterradoras camadas de pó. Depois, há que saber decifrar línguas e dialectos antigos, para traduzi-los com a eficácia necessária. Ah sim claro, é preciso conhecer para lá de bem o território, pois só assim a expedição terá êxito.

 

No fundo, a pesquisa é intensa, para por vezes a expedição resultar em nada. Mas desta vez não é o caso.

Desta vez, Hamadh e Jade encontraram uma antiga casa senhorial de um mercador de algumas posses, que dominava o comércio entre 2 cidades não muito grandes. Apenas grandes o suficiente para ele acumular alguma fortuna e se rodear de alguns objectos valiosos.

 

Sem ser uma descoberta estrondosa, permitirá aos salteadores alguns meses de ócio.

 

O túmulo de Mentuhotep #2

Eis que após vários dias de labor intenso, os trabalhadores põem a descoberto o túmulo do faraó Mentuhotep VII. Os trabalhos estão por enquanto parados, enquanto os arqueólogos chefes de expedição decidem o que fazer com tudo aquilo que encontraram. Além da múmia do faraó, há várias peças do seu tesouro, que começam agora a ver a luz do dia.

 

Enquanto isso, no local da escavação, os trabalhadores estão estarrecidos: todos sabem que um escorpião não é um bom presságio para nada, quanto mais para quem vem incomodar o faraó. Todos se movem em silêncio, com receio de despertar algo verdadeiramente maligno. Os animais estão nervosos, raspam as patas na areia e têm as orelhas deitadas para trás.

 

Os ânimos dividem-se entre entusiasmo e inquietação. Nas áreas mais distantes do túmulo, o tom das conversas é de entusiamo e expectativa, mas à medida que nos aproximamos do túmulo agora descoberto, as conversas diminuem de tom e nota-se algum receio no ar. Ainda hoje se saberá o que fazer com a múmia do faraó e há medida que essa hora se aproxima, o receio é maior. 

 

 

De partida

Hassam levantou-se ainda o dia não tinha nascido para preparar os camelos. A mercadoria está pronta para ser acondicionada no dorso destes valentes animais: tapetes feitos à mão e tâmaras secas, que se Alá o permitir serão vendidos no grande mercado da cidade que dista meio dia de caminho. No regresso trarão alguns alimentos frescos e matéria prima para os tapetes.

 

Enquanto Hassam preparava os camelos, Haminah arranjou uma merenda para o caminho e agora que o sol já nasceu, farão as habituais orações antes de iniciarem a viagem. Estarão de regresso dentro de 2 dias, se os negócios correrem bem e se não apanharem nenhuma tempestade de areia que os atrase.