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PLAYMOBLOG

Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

O capitão

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Falta-lhe o rosto a saber a sal e o cabelo encrespado pelo mar. Os sapatos magoam-lhe os pés e as meias fazem-lhe comichão nas pernas. Não foi feito para estar em terra. Vive cada dia na esperança que uma missiva lhe traga uma nova missão. Não tem dificuldade em encontrar tripulação. Todos reconhecem o seu espírito de liderança.

Respitam-no, pois nos dias de ócio no mar, também tira a camisola e luta corpo-a-corpo com os seus homens para afastar o tédio e a tensão. Sabem que mesmo na pior tempestade, é o seu capitão que, amarrado por uma corda, segura o leme e que os conduz para porto seguro. Não admite furtos, nem rixas de amor entre os homens, mandando açoitar impediosamente os prevaricadores sempre que tal acontece.

Perdeu a conta aos lábios que beijou e aos corpos que acariciou, em cada porto em que parou. Há apenas um rosto de cara sardenta que não é capaz de esquecer. O cheiro daqueles cabelos cor-de-fogo perseguem-no nas noites em que o céu está completamente limpo e estrelado.

Gosta de subir ao cesto da gávea, encher o olhar do horizonte infinito e de imediato sente o seu coração a bater ao compasso do balanço do mar.

Oxalá que em breve tenha uma nova missão!

Que nem um cacho...

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Há três horas que Jack espera por ela. Por esta altura já percebeu que ela não vem, mas mantém a espera, mais por teimosia do que por esperança. 

Estava tudo planeado ao pormenor. Ela escapar-se-ia de casa, quando os últimos raios de luar se começassem a esconder dos feixes dourados da alvorada. Traria uma camisola e um par de calças vestidos por baixo do seu vestido. Ao chegar ao cais, trocaria de roupa por baixo do pontão e cortaria o cabelo curto como o de um rapaz. Assim poderia arranjar trabalho no navio de Jack, como grumete. 

Ele esperararia por ela, num pequeno bote, depois de reunir todas as poupanças das suas piratarias bem sucedidas e trataria de lhe arranjar trabalho como camareiro do capitão. O plano era simples: desertar no primeiro porto onde parassem e ser felizes para sempre, onde quer que fosse.

Mas há três horas que o plano está condenado ao fracasso e Jack acaba por beber sozinho o vinho especial que comprara para celebrar o momento em que, enfim sós, começariam uma vida nova.

Filomena

Tobias, meu velho amigo, já nada nos prende aqui. Vamos partir sim, pois a dona do meu coração partiu também.

Por ela, estava disposto a tornar-me num homem honesto. Tenho escondidos dobrões suficientes para começar uma vida nova. Cortar esta barba e comprar uma casaca da moda. E daria a Filomena uma vida boa. Seríamos felizes.

Mas a família dela soube do nosso amor.Levou-a para longe para um certo convento do qual desconheço o nome e a localização... Nada mais tenho a fazer senão partir. Porém, juro que não deixarei em paz a sua família. Arruinarei os seus negócios e deixál-os-ei na miséria. Deitarei na lama o seu orgulho e implorarão por misericórdia. Oferecer-me-ão a mão de Filomena  para se salvarem da penúria. Tu verás, ou não sou eu um pirata que já cruzou os sete mares!

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Confrontos na fortaleza

O Ruivo, o pirata mais conhecido das redondezas, conseguiu ultrapassar a guarda da fortaleza e está prestes a tomá-la. O objectivo? Simples, um valioso carregamento aguarda transporte para a sede império: milhares de dobrões e outros tantos quilos de chocolate, esperam a chegada da fragata "Esperanza", que tem por missão depositar nas mãos do rei riquezas que farão parte do dote da princesa, que em breve desposará um princípe árabe.

O Ruivo estudou bem a lição e a sua investida para já, está coroada de êxito. Os soldados ingleses estão em desvantagem numérica e estão surpreendidos por uma invectiva desta natureza ter chegado tão longe. Por outro lado, estão bem preparados, têm vantagem no poder bélico e conhecem bem o território onde a escaramuça está a decorrer.

O almirante saiu ele próprio de espada em riste e logo lhe calhou enfrentar o Ruivo. Ambos são homens com honra, astutos e fortes, com o mesmo objectivo: sair vitorioso desta contenda. O duelo é intenso e as espadas embatem uma na outra em golpes, contra-golpes e simulações. Visto daqui, parece que há um empate...

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Pirataria

O encontro fortuito do Pérola com uma escuna de cadetes da Escola Naval, não surtiu bons resultados.

Se por um lado os piratas, que longe de esperarem alguma refega, se tinham dedicado a brindar repetidamente a uma abordagem muito bem sucedida descurando por completo a vigilância das águas ao seu redor; por outro, o navio repleto de cadetes garbosos, ansiosos por demonstrar tanto de conhecimento acumulado, como de valentia e bravura, era fácil perceber o resltado final.

O capitão do Pérola procurou em vão que os piratas retomassem os seus postos, mas com a barriga cheia de rum, os homenzarrões tropeçavam desajeitadamente no convés e pareciam mover-se em câmara lenta. 

Assim que percebeu que a causa estava perdida (o que não demorou muito tempo), o capitão do Pérola lançou um pequeno bote à água, depositando nele uma das arcas mais pequenas, precisamente uma das que continham pedras preciosas. Cobriu-se com um trapo velho, despejando por cima restos de comida e lá escapou incólume à refrega que aconteceu a seguir.

Felizmente não estavam longe de terra firme e uma pequena ilha serviu-lhe de abrigo. 

Escola Naval #6

Sim, desta vez trata-se de uma situação real!

O almirante foi chamado a resolver um pequeno incidente com um bando de piratas maltrapilhos que todos já conhecem bem e que primam pela desorganização. O conflito não é difícl de resolver: uns quantos tiros certeiros da artilharia pesada, seguido de um ataque de baionetas e os desgraçados serão facilmente apanhados e conduzidos aos calabouços, de onde saíram não faz muito tempo.

Os cadetes, não o querendo demonstrar, estão nervosos: as mão suam, têm a garganta seca e as pernas movem-se involuntariamente. Para afastar o nervosismo, vão revendo a matéria dada em voz alta, enquanto esperam que o vozeirão do almirante lhes dê a ordem para atirar certeiro. 

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Histórias de piratas

 O Sr. Zé é de facto um descendente de piratas. O seu tom de pele, a barba hirsuta e o perfume a mar que o acompanham para qualquer lado que vá são testemunho disso mesmo. No dia-a-dia é vê-lo vestido como qualquer um, mas ao fim de semana, ele veste as roupas herdadas do seu tetravô, arrasta a velha arca que resiste estoicamente ao caruncho e desfralda a bandeira preta com o totem do seu antepassado e instala-se na praia a contar velhas histórias de aventuras.

 

Os seus ouvintes são tantos quantos passeiam no cais, onde outrora caminharam pés descalços trôpegos de tanto saciarem a sede com rum, mas os mais entusiastas são os garotos daqui e dali, que mal o vêem, encarreiram-se atrás dele e sentem-se honrados quando o Sr. Zé os deixa ajudá-lo a montar o cenário.

 

A inspiração para as histórias que conta, vai buscá-la às linhas retorcidas escritas pelo tetravô no seu diário de aventuras. As folhas do caderno estão amarelecidas, sebosas e cheiram a cachimbo. Tocá-las é ser-se automaticamente trasnportado para a mesa do canto do bar do cais, onde o tetravô do Sr. Zé escrevia as suas memórias.

 

 

 

Escola Naval #5

Hoje são necessárias mãos seguras, coordenação de movimentos, rapidez e pontaria.

O treino com artilharia pesada começou e para aqueles que pensavam que iria ser fácil, as coisas estão a ficar complicadas. O almirante não admite atrapalhações, encoleriza-se com a má pontaria e embirra com cadetes que não dominam na ponta da língua todos os termos utilizados na preparação das peças. O vocabulário utilizado é técnico, mas o almirante não se coibe de utilizar o jargão utilizado pela tripulação, pelo que estes jovens oficiais estão a aprender uma nova língua. O almirante grita-lhes constantemente, levando-os a suar em bica enquanto preparam a pólvora a utilizar. Diz ele, que será um milhão de vezes pior, caso tenham que fazer o que estão a praticar sob fogo dos piratas. 

O almirante não disfarça algum gozo em atormentar assim os cadetes, mas no fim da aula tem por hábito pagar-lhes uma cerveja, enquanto lhes conta algumas aventuras em alto mar.

 

 

Escola Naval #4

Pausa nos afazeres escolares.

Os cadetes reúnem-se na taberna ao princípio da tarde. A manhã foi passada no meio dos lençóis num verdadeiro ócio, aproveitando para se rirem da pilha de livros de estudo arrumados num canto e que serão devolvidos à biblioteca. Em breve terão que trazer os livros do próximo semestre, mas para já, vivem-se momentos de descontração, almoços tardios e aproveita-se para pôr o sono em dia.

 

Hoje escolheram a "Maré Alta", uma taberna que fica no cais, mas que nas traseiras tem um pequeno jardim, que isto de andar sempre com os olhos postos do mar, ás vezes enjoa. os brindes sucedem-se: aos êxitos académicos que lhs permitiram passar para o semestre seguinte, ao navio que irão comandar um dia, aos tesouros que irão transportar, aos piratas que irão abordar. 

 

Rumos e coordenadas

- Capitão, traçei aqui umas coordenadas para escondermos o nosso tesouro e não o perdermos. Fiz uma cópia para si. O que lhe parece?

- Oh minha cabeça de tempestade, não vez que trocaste a longitude com a latitude? Como queres que encontremos o tesouro assim?

- Mas meu capitão, não acertei?

- Népia, meu caro. Bem que eu desconfiava que essa tua cabeça tinha correntes de ar a mais. Meu rapaz, assim nunca obterás a tua pena de pirata para colocares nesse chapéu. E nem essa perna de pau vai fazer de ti um pirata a sério! Anda daí, vamos beber uma caneca de rum, para eu te explicar esta coisa de traçar rumos e coordenadas.

- Que boa ideia capitão, por cada um que eu acerte, bebo um golo de rum. Vai ver, num instante aprenderei!