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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

Aventuras...

A frescura do oásis sente-se primeiro na pele, mas assim que inspiram o ar impregnado de humidade, sentem-se leves, quase que embriagados, depois de terem suportado dias a fio o inferno do deserto. 

 

Aventureiros natos, amigos de aventuras estranhas e parceiros de descobertas longínquas, Jack e Melissa nunca tinham enfrentado um desafio assim. Certos de que a sua experiência os levaria a atravessar o deserto com facilidade, foi com relutância que ao fim de alguns dias assumiram que desta vez, o empreendimento estava de facto a ser muito duro.

 

Desta vez, acompanharam uma expedição local, que lhes possibilitava conhecer alguns dos túmulos de reis faraónicos mais escondidos, e por isso menos conhecidos. Seria uma experiência única e a promessa de que poderiam editar um livro com o relato da aventura, fê-los embarcar confiantes na aventura.

 

Mas a inclemência do deserto atingiu-os sem brandura e e a escassez de água, o calor intenso, e a paisagem imutável, deixou-os com a moral muito ferida. Claro que visitaram alguns dos túmulos que pretendiam, mas a passagem da caravana perto do oásis, fê-los repensar os objectivos traçados e questionar a sua contenda. Por agora ficam um dias no oásis. Irão tirar fotografias, entrevistarão os habitantes e reformularão o seu projecto.

 

Mas primeiro que tudo, vão tomar banho e dormir a sesta numa sombra fresca.

 

Histórias de piratas

 O Sr. Zé é de facto um descendente de piratas. O seu tom de pele, a barba hirsuta e o perfume a mar que o acompanham para qualquer lado que vá são testemunho disso mesmo. No dia-a-dia é vê-lo vestido como qualquer um, mas ao fim de semana, ele veste as roupas herdadas do seu tetravô, arrasta a velha arca que resiste estoicamente ao caruncho e desfralda a bandeira preta com o totem do seu antepassado e instala-se na praia a contar velhas histórias de aventuras.

 

Os seus ouvintes são tantos quantos passeiam no cais, onde outrora caminharam pés descalços trôpegos de tanto saciarem a sede com rum, mas os mais entusiastas são os garotos daqui e dali, que mal o vêem, encarreiram-se atrás dele e sentem-se honrados quando o Sr. Zé os deixa ajudá-lo a montar o cenário.

 

A inspiração para as histórias que conta, vai buscá-la às linhas retorcidas escritas pelo tetravô no seu diário de aventuras. As folhas do caderno estão amarelecidas, sebosas e cheiram a cachimbo. Tocá-las é ser-se automaticamente trasnportado para a mesa do canto do bar do cais, onde o tetravô do Sr. Zé escrevia as suas memórias.

 

 

 

Escola Naval #5

Hoje são necessárias mãos seguras, coordenação de movimentos, rapidez e pontaria.

O treino com artilharia pesada começou e para aqueles que pensavam que iria ser fácil, as coisas estão a ficar complicadas. O almirante não admite atrapalhações, encoleriza-se com a má pontaria e embirra com cadetes que não dominam na ponta da língua todos os termos utilizados na preparação das peças. O vocabulário utilizado é técnico, mas o almirante não se coibe de utilizar o jargão utilizado pela tripulação, pelo que estes jovens oficiais estão a aprender uma nova língua. O almirante grita-lhes constantemente, levando-os a suar em bica enquanto preparam a pólvora a utilizar. Diz ele, que será um milhão de vezes pior, caso tenham que fazer o que estão a praticar sob fogo dos piratas. 

O almirante não disfarça algum gozo em atormentar assim os cadetes, mas no fim da aula tem por hábito pagar-lhes uma cerveja, enquanto lhes conta algumas aventuras em alto mar.

 

 

À moda antiga

O Zé e a Bá namoram à moda antiga. Para eles não há mensagens escritas, posts no instagram ou likes no facebook.

Usam papel e caneta para dizerem o que sentem quando estão longe um do outro. Quando estão perto, sentam-me muito juntinhos e mantêm mão na mão durante todo o tempo. Preferem um passeio no parque, a um almoço no restaurante da moda. São espectadores assíduos do pôr-do-sol e desconhecem o filme que está na berra. Têm poucas fotografias, mas as que têm são dos momentos verdadeiramente especiais. Fazem questão de fazer um gesto ou dizer uma palavra que demonstre o quanto amam o outro, em vez de comprar prendas caras. E sim, são felizes!

 

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