Varino Amoroso
Olha Maria, está a ver? Aquele ali, o maior, é o Amoroso. O meu avô foi durante muitos anos mestre daquele varino, naquele tempo em que no Tejo se cruzavam centenas de embarcações que transportavam de tudo um pouco, de e para Lisboa.
Nas férias da escola, o meu pai partia com ele bem cedo todas as manhãs, e ajudava-o nos fretes do dia: ora a carregar ostras ou cortiça e transportá-las para Lisboa, ora a levar gente de um lado para o outro, numa correria de tempos em que não havia automóveis, quanto mais estradas.
No farnel levavam pão e queijo e completavam o almoço com algum peixe que apanhassem, enquanto seguiam à bolina por esse estuário fora, que assavam, num bocadinho que tivessem, enquanto aguardavam algum carregamento. De tempero apenas lhe punham sal, das salinas do Samouco, pagamento frequente de quem não tinha moedas para gastar, mas que precisava do transporte.
No dia de S. Pedro, engalanavam juntos o Amoroso e nesse dia, este varino, era sempre a embarcação mais bonita do Tejo. Era nele que embarcava o Sr. Prior, para dar a benção a todos quantos vinham das redondezas celebrar o Santo Pescador.
