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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

Akilah e Khalidah | Akilah and Khalidah

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Já lá vão muitos anos desde que Akilah e Khalidah percorriam as ruas do mercado em liberdade: pés descalços e cabelos ao vento, brincando e jogando enquanto as suas mães faziam as compras. Mais tarde, já adolescentes, ainda livres sentavam-se junto ao poço e dissertavam sobre que tipo de homem lhe calharia em sorte.

Khalidah sonhava com um príncipe que chegaria numa das caravanas e que a levaria a percorrer o mundo. Também costumava dizer que só casaria, se fosse capaz de ver o futuro nos olhos do rapaz. Recusava-se terminantemente a casar só porque a família assim o determinasse. Fugiria, se assim fosse, dizia ela.

Akilah, de carácter mais submisso, sonhava apenas com um homem bom e que a tratasse bem.

Hoje, Khalidah percorre o país a vender produtos vários. O sonho do príncipe já lá vai distante. Pelo menos ela e o marido têm o mesmo sonho: que a sua filha cresça, educada e informada e sobretudo livre de imposições fundamentalistas. Os olhos de ambos brilham ao falarem na pequena. E isso é o futuro. Khalidah está feliz.

Por seu lado, Akilah casou com o vizinho que conhece desde sempre e que lhe atirava pedras em garotos. Juntos vivem pacatamente, no oásis, educando os dois filhos para a paz e sobretudo bom senso.

Os encontros mensais no mercado servem para as amigas se reverem e renovar os laços de amizade que as unem. Os seus filhos já se conhecem, claro, e hoje são eles que percorrem o mercado em liberdade.

 

Many years ago, Akilah e Khalidah runned free in the market's streets: barefoot and their hair floating in the wind, playing around while their mothers shopped. Later on, as teenagers, still free, they sat down by the wel discussing what kind of man each one would maried.

Khalidah dreamed of a prince, that would come in one of the caravans, that would take her to travel the world. She used to say that she only get married if she could see the future in the man's eyes. She strongly refused to married just for obey her family. If so, she would run, she used to say.

Akilah, with a much soft temper, only dreamed of a good man that treat her right and really cared for her.

Today, Khalidah runs the country selling goods. The dream about the prince as faded away. Her husband and her have now the same dream: to see their daughter grown up, with education and free of fundamentalism. Their eyes sparkle as they speak about their daughter. And that's the future. Khalidah is happy.

On the other hand, Akilah married wih an old time neighbour, that used to throw stones at her as a kid. They live peacefully in the oasis, raising their two sons to be gentle and wise.

Every month the the girlfriends meet in the market to see each other and to renew their longlasting friendship. Their sons already know each other, and they are the ones who run free barefoot in the market today.

O mercado | The market

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Os sons do mercado do oásis ouvem-se à distância. Os gritos das mulheres, ora regateando preços, ora chamando pelas crianças que insistem em fugir do seu olhar protector. Os sons dos muitos animais que o mercado junta: camelos, burros, ovelhas, cabras, que parecem curiosos uns com os outros e não páram de bradar bem alto. 

E os cheiros: do couro, da madeira, do metal, das especiarias, do azeite, do chá e do fumo...

É uma alegria percorrer o mercado que chega ao oásis uma vez por mês e apreciar todos os produtos que ali são apresentados: um novo tecido, um chá mais apurado, jóias mais bonitas que as do mês anterior. 

Juntam-se neste mercado gentes dos arredores. O tagarelar das mulheres é constante sabendo das novidades de perto e de mais além. Junto ao poço o vai-vem é constante para abastecer a caravana que em breve se fará ao caminho para levar o mercado a outras paragens.

Por agora é hora de regatear preços, elogiar cada produto, arrancar cabelos para conseguir o melhor preço e fazer o melhor negócio. 

 

Market sound can be heard from far away: the women screams claiming some clients for their business, the voices of man bargain prices, the yelling children that play here and there; the voices of so many animals: camels, donkeys, sheep, goats, that don't stop screaming out loud.

And smells can be sensed too: leather, wood, metal, spices, herbs, olive oil, tea and smoke, from the several tents installed.

It's a joy to scroll the market, that arrives at the oasis once a month, and treasure all the products presented: new fabrics, a new tea, beautifull jewels...

Peopla from the surroudings gathered at the market. The women chattering sound is unstoppable, as today is the day to know all about everyones news. By the well, there is a continuous come and go to supply the caravan, that by the end of the day must be moving on, taking the market to other places.

For now, it's time to bargain, to plaise each and every product, pull of some hair to achieve a better price and make the best deals.

Negócios escuros

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Samhir é vendedor de antiguidades em Kalba, a cidade mais próxima das famosas ruínas de El-Sharjah, onde segundo contam as lendas, se escondem preciosos tesouros de reis touareg cuja linhagem há muito se perdeu.

Arat é arqueólogo nas horas vagas. Procura uns tais tesouros perdidos, por conta própria, a horas pouco dignas. É um ladrão de tumbas, na verdade. E ganha a vida vendendo e regateando até à exaustão os preços das peças que vai encontrando, sejam elas de muito ou pouco valor. É um negociante aguerrido que todos conhecem.

Às primeiras horas da aurora, num recanto bem escondido do oásis, Samhir e Arat encontram-se para discutir um negócio. As leis mais antigas dos comerciantes mandam que, em vista de um negócio difícil, se beba chá antes de encetar qualquer negociação. Porém, hoje, ninguém trouxe chá e a negociação começa à sombra de armas que ambos os negociantes empunham. 

Aos seus pés, sobre a areia que começa a aquecer, um escorpião procura um abrigo mais adequado à temperatura que se fará sentir em breve. A sua passagem é um auspício de que as negociações vão ser duras. E não é para menos. Os artefactos em causa, são valiosos e ambos os negociantes o sabem. O clima vai-se tornando mais tenso, à medida que o sol se ergue no céu.

Após duras negociações, ambos retiram algum proveito do encontro. Samhir conseguiu um preço razoável por um dos artigos que pretendia. No entanto, Arat foi irredutível quanto ao preço final de um pote banhado a ouro, para o qual já tem um valor bastante elevado prometido e ao qual Samhir não conseguiu chegar.

O ritual do chá que deveria ter dado início às negociações, será agora realizado num dos salões do oásis, já num clima mais apaziguado e com as armas embainhadas.

Aventuras...

A frescura do oásis sente-se primeiro na pele, mas assim que inspiram o ar impregnado de humidade, sentem-se leves, quase que embriagados, depois de terem suportado dias a fio o inferno do deserto. 

 

Aventureiros natos, amigos de aventuras estranhas e parceiros de descobertas longínquas, Jack e Melissa nunca tinham enfrentado um desafio assim. Certos de que a sua experiência os levaria a atravessar o deserto com facilidade, foi com relutância que ao fim de alguns dias assumiram que desta vez, o empreendimento estava de facto a ser muito duro.

 

Desta vez, acompanharam uma expedição local, que lhes possibilitava conhecer alguns dos túmulos de reis faraónicos mais escondidos, e por isso menos conhecidos. Seria uma experiência única e a promessa de que poderiam editar um livro com o relato da aventura, fê-los embarcar confiantes na aventura.

 

Mas a inclemência do deserto atingiu-os sem brandura e e a escassez de água, o calor intenso, e a paisagem imutável, deixou-os com a moral muito ferida. Claro que visitaram alguns dos túmulos que pretendiam, mas a passagem da caravana perto do oásis, fê-los repensar os objectivos traçados e questionar a sua contenda. Por agora ficam um dias no oásis. Irão tirar fotografias, entrevistarão os habitantes e reformularão o seu projecto.

 

Mas primeiro que tudo, vão tomar banho e dormir a sesta numa sombra fresca.

 

Má sorte no deserto

É verdade que o deserto é adverso, e aqueles que arriscam demais e menosprezam o que por lá se passa, acabam muitas vezes em maus lençóis. Conheço inúmeras histórias de viajantes, aventureiros ou salteadores, que caíram nas armadilhas das criaturas que vivem no deserto e que fazem dele uma espécie de organismo vivo, com uma vontade muito particular.

 

Uma delas conta que um salteador de tesouros contratou 2 habitantes de um oásis longínquo e que os obrigou a escavar horas a fio sob o intenso sol do deserto. Os coitados estavam tão exaustos quando por fim descobriram o tesouro que encontraram, que nem se aperceberam da avidez mesquinha com que o seu carcereiro os empurrou para o lado e escavou com as próprias mãos o pouco que faltava.

 

Com o que nenhum deles contava era com a areia movediça que estava ali tão perto e onde o maléfico salteador ficou preso, mal deu os primeiros passos cantando vitória com o tesouro nas mãos. Mesmo que quisessem, os pobres prisioneiros não teriam forças para o retirar dali. por isso ali ficaram a vê-lo ser engolido pelo deserto enquanto gritava com todas as suas forças.

 

 

Salteadores!

Ninguém disse que a vida de salteador era fácil, mas a verdade é que de vez em quando compensa!

Primeiro há que passar horas infindáveis enfiado em bibliotecas e passar a pente fino livros, papiros e outros documentos antíquíssimos, muitos deles cobertos por aterradoras camadas de pó. Depois, há que saber decifrar línguas e dialectos antigos, para traduzi-los com a eficácia necessária. Ah sim claro, é preciso conhecer para lá de bem o território, pois só assim a expedição terá êxito.

 

No fundo, a pesquisa é intensa, para por vezes a expedição resultar em nada. Mas desta vez não é o caso.

Desta vez, Hamadh e Jade encontraram uma antiga casa senhorial de um mercador de algumas posses, que dominava o comércio entre 2 cidades não muito grandes. Apenas grandes o suficiente para ele acumular alguma fortuna e se rodear de alguns objectos valiosos.

 

Sem ser uma descoberta estrondosa, permitirá aos salteadores alguns meses de ócio.

 

O túmulo de Mentuhotep #2

Eis que após vários dias de labor intenso, os trabalhadores põem a descoberto o túmulo do faraó Mentuhotep VII. Os trabalhos estão por enquanto parados, enquanto os arqueólogos chefes de expedição decidem o que fazer com tudo aquilo que encontraram. Além da múmia do faraó, há várias peças do seu tesouro, que começam agora a ver a luz do dia.

 

Enquanto isso, no local da escavação, os trabalhadores estão estarrecidos: todos sabem que um escorpião não é um bom presságio para nada, quanto mais para quem vem incomodar o faraó. Todos se movem em silêncio, com receio de despertar algo verdadeiramente maligno. Os animais estão nervosos, raspam as patas na areia e têm as orelhas deitadas para trás.

 

Os ânimos dividem-se entre entusiasmo e inquietação. Nas áreas mais distantes do túmulo, o tom das conversas é de entusiamo e expectativa, mas à medida que nos aproximamos do túmulo agora descoberto, as conversas diminuem de tom e nota-se algum receio no ar. Ainda hoje se saberá o que fazer com a múmia do faraó e há medida que essa hora se aproxima, o receio é maior. 

 

 

De partida

Hassam levantou-se ainda o dia não tinha nascido para preparar os camelos. A mercadoria está pronta para ser acondicionada no dorso destes valentes animais: tapetes feitos à mão e tâmaras secas, que se Alá o permitir serão vendidos no grande mercado da cidade que dista meio dia de caminho. No regresso trarão alguns alimentos frescos e matéria prima para os tapetes.

 

Enquanto Hassam preparava os camelos, Haminah arranjou uma merenda para o caminho e agora que o sol já nasceu, farão as habituais orações antes de iniciarem a viagem. Estarão de regresso dentro de 2 dias, se os negócios correrem bem e se não apanharem nenhuma tempestade de areia que os atrase.

 

 

O túmulo de Mentuhotep

A azáfama tem sido mais que muita no oásis el-sheik! Desde que descobriram o túmulo do faraó Mentuhotep VII, que não páram de chegar arqueólogos do mundo inteiro, carregados com caixas e caixas de material.

 

O túmulo não fica longe do oásis, mas ainda assim, é necessário carregar todo o equipamento para o local e algumas equipas bem se vê que nunca puseram pé no deserto. A cor da pele de alguns é tão leitosa, que apenas em algumas horas de exposição, já ganharam uma cor quase escarlate. As insolações são várias e as desidratações outras tantas.

 

Muitos recorreram à ajuda dos habitantes do oásis, que os auxiliam no transporte do equipamento para o local de escavação, servindo-se da preciosa ajuda do animal mais adaptado ao deserto: o camelo. 

 

Aminah também foi recrutada, assim como o Areias. Juntos levam e trazem material e pessoal do oásis para o local de escavação e vice versa. Mantém o grupo abastecido de água e Aminhah pepara-lhes frequentemente refeições leves.

 

A vida tranquila do oásis, tornou-se agora no centro do mundo e ouvem-se várias línguas provenientes de todo o lado. O burburinho só acalma já a lua vai alta, altura em que por fim, o silêncio do deserto volta a reinar.

 

Negócios

Bahir é pastor. Tem um pequeno rebanho de ovelhas e algumas cabras. Vive sozinho, numa pequena tenda, nos limites de um pequeno oásis, onde se dedica a construir daff (instrumento musical árabe, semelhante a uma pandeireta). 

 

Não são muitos os turistas que por ali passam e não seria possível manter o seu negócio apenas através dos habitantes do oásis. Por isso, Bahir aguarda ansiosamente a passagem de qualquer caravana, a quem tenta vender o fruto do seu trabalho.

 

Halima e Safiya conhecem já bastante bem Bahir. Sempre que por aqui passam é certo que tomarão um chá juntos e certo é, que concretizarão algum negócio. Os daff de Bahir são já cobiçados por algumas lojas das principais cidades das redondezas, pelo que o Areias transportará para a cidade os sons do deserto na sua bagagem.