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PLAYMOBLOG

Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

Vida de nómada | Nomad life

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Nair e Ademir são os últimos elementos da família a manterem um estilo de vida nómada. Todos os seus irmãos já se fixaram e alguns já têm os seus filhos na escola. Para Nair e Ademir essa hipótese ainda não se colocou, no entanto, em breve terão que pensar nisso a sério: Nair espera uma criança para daqui a uns meses.

Os nómadas são cada vez menos, e o deserto começa a ficar perigoso. Além disso, Nair e Ademir viajam sozinhos. Todos aqueles que faziam o mesmo estilo de vida e com que partilhavam as viagens ou parte delas já deixaram de o fazer.

Hoje o trajecto passa perto de casa dos pais de Nair, que têm os braços abertos para os acolher e eles sabem que o seu estilo de vida vai ser posto em causa. Nenhuma decisão está tomada, mas terão que a tomar em breve.

 

Nair and Ademir are the last in the familiy to maintain a nomad kind of life. All of their brothers and sisters are already living in some of the region's villages, and their children are in school as well. To Nair and ademir it didn't make sense yet. They both love this kind of life, but soon they will have to think about it very seriously: Nair is expecting a child in a couple of mouths.

Nomads are getting fewer and fewer and the desert in becoming dangerous. Besides that Nair and Ademir often travel alone, as all other nomads witch carryed the same kind of life as them or the ones who shared their travels already stoped doing that.

Today their journey takes them to Nair's parents. Their arms are open to receive them and they know that their life style will be questioned. No decision has yet been made, but they will have to choose soon.

A palmeira | The palm tree

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Esta palmeira viu estas duas mulheres crescer. À sua sombra, ainda bebés dormiram grandes sestas e comeram os primeiros punhados de areia. Sob as suas folhas deram os primeiros passos apoiadas uma na outra e as primeiras palavras que proferiram confundiram-se com o restolhar das suas folhas sob a brisa do deserto.

As primeiras conversas de adolescentes tiveram-nas ali sentadas e encostadas no seu tronco. Ali choraram, riram e zangaram-se uma e outra vez, para rapidamente fazerem as pazes de novo. Inseparáveis desde miúdas e as melhores amigas já mulheres.

Sob esta palmeira sentem-se em casa e enquanto aqui estão ninguém as importuna. Filhos, maridos, pais e mães, todos sabem que ali é o seu refúgio e aquele tempo é só delas.

 

This palm tree have seen these two babies grow up. As babies, they slept the best naps by it's shadow and ate some hand fulls of sand. Under it's leaves, they stood up for the first time, gave their first steps leanning on each other and their first words mixed up with the noise of the leaves moving with the desert breeze.

First teenager talks and dreams were shared, while sitting agains it's trunk. Right there they criyed, laughed and get angry at each other again and again. Soon they were friends again. Inseperable since little kids, adult best friends.

Under this palm tree they feel at home, safe, and while they are here, no one upst them. Theis children, husbands, mothers and fathers, all know that the palm tree is their refuge, and that time his their, and their only.

Amor estranho | Strange love

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Rafiki é um dromedário de caravana, forte, com uns olhos doces e pestanudos. Está habituado a percorrer quilómetros e quilómetros de areia, trazendo de lá para cá e de cá para lá toda a espécie de bagagens. Conhece quase todos os oásis do deserto e é obviamente o líder da caravana.

Saad é um dromedário fêmea doméstico que está ao serviço de uma das famílias do oásis. Transporta água e as compras do mercado e ainda alinha nas brincadeiras das crianças quando há tempo para isso. É ainda jovem, mas já se perdeu de amores por Rafiki, a quem vê ocasionalmente, aquando das suas passagens pelo oásis.

Quando ele está por perto, Saad arranja sempre forma de estarem juntos e foram vários os fins de tarde que passaram juntos a descansar à sombra das palmeiras. Houve até um dia em que se esqueceram de a vir buscar e ela e Rafiki passaram a noite juntos, ao relento, contando estrelas, enquanto ele contava as aventuras das suas viagens. Foi uma noite fantástica.

 

Rafiki is a caravan male dromedary. He's strong and have some sweet eyes, with big big lashes. His life is all about carriyng all kinds of goods, across the desert. He knows almost all the oasis there is to know and he is obviously the lider of the caravan.

Saad is a female dromedary at the service of one of the oasis families. She is lucky, becouse she is very well taken care of. She carries water and groceries from the market, and plays along with the children, when there is time for it. She is still young, but already fell in love with Rafiki, wich she sees ocassionaly, when he stops by at her oasis.

When he´s around, Saad always finds a way to be near Rafiki and already got to spend several evenings with him, resting under the palm trees. One day, someone forgot her, and they actually spend the night together, counting stars, as Rafiki kept telling her about his adventures. That was an amazing night.

No oásis | At the oasis

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É dia de festa no oásis: celebra-se a deusa Bastet, protectora da casa.

Hoje, desde o nascer até ao pôr-do-sol, todas as casas têm as suas portas e janelas abertas, para que o poder da deusa as inunde e as purifique. Nos seus quintais e à entrada das casas, há pequenos lanches, numa partilha entre vizinhos. Todos apresentam as suas melhores receitas e disponibilizam as bebidas mais saborosas aos outros, na esperança que a deusa abençoe as suas casas durante o próximo ano.

É um dia em que o vai-vem de gente é permanente e em que literalmente todos passam o dia na rua, pondo fim a vários dias dedicados à casa, fazendo limpezas, arrumando e desfazendo-se do que já não presta, preparando assim a vinda da deusa dia.

Ao pôr-do-sol, todos se reúnem e fazem uma grande fogueira onde cada família apresenta um dos artigos que não sobreviveu às limpezas e o atira para a fogueira, como oferenda para a deusa e em sinal da sua disponibilidade para cuidar sempre da casa.

 

It's festivity day in the oasis: everyone is celebrating Bastet, protective godess of the home.

Today, since run rise until the sun down, all the houses have it´s doors and windows wide open, so the godess power can flood and purify them. In the backyards and at the doorways, there are snacks to share with all the neighbours. Everyone presents their best recipes and make available the most tasteful drinks, hoping for the godess blessings in the next year.

Throughout the day, there's a continuous come and go as eveybody spends all day out, wandering from house to house, ending this way several days devoted to their own homes, cleaning and tidying them up in preparation of the godess day.

By the sun down, everyone gathers and make a huge fire, where each family sacrifices one object from their home, burning it as an offer to the godess and representing their will to always take care of home. 

Azar ou sorte? | Bad luck or good luck?

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Diz-se que quem parte um espelho tem sete anos de azar. Pois bem, na aldeia da Clara, acredita-se que quem parte um candeeiro não será feliz, a menos que alguém lhe ofereça um novo rapidamente.

A Clara tem as suas dúvidas quanto a esta crença, mas depois de a sua mãe chorar baixinho dias seguidos pela casa, após esta quebrar um candeeiro, a rapariga lá se decidiu a ir ao mercado e comprar um novo, para ver se remediava a situação.

Chegou ao mercado bem cedo e distraída à procura da tenda que vendia o que pretendia, nem reparou num pequeno burro carregado de lenha, com o qual chocou. O animal abanou a cabeça assustado, mas Clara retirou uma cenoura que trazia para o seu lanche e confortou o animal que num instante engoliu a iguaria.

Seguiu caminho rapidamente sem perder mais tempo, até que encontrou a tenda de Mustafá. Ali encontrou a mais variada selecção de lamparinas, lucernas, candeeiros e candeias e ela sentiu-se perdida. Pediu ajuda a Mustafá, explicando que queria uma coisa robusta que não se partisse facilmente. Não queria ter a mãe a chorar pelos cantos tão depressa.

Mustafá sorriu perante a atrapalhação da rapariga e ajudou-a a escolher um candeeiro que satisfizesse os seus requisitos. Regatearam um pouco o preço como é habitual e quando Clara procurava na sua bolsa o valor acordado, uma mão áspera mas forte estendeu a Mustafá as moedas necessárias. Clara voltou-se e encontrou um rapaz alto e forte com a cara coberta de uma barba cerrada e escura, mas com o sorriso mais bonito do mundo. Disse ele:

- Deste-me sorte rapariga, depois de te ter encontrado e de o meu burro ter comido a tua cenoura, vendi toda a lenha que trazia por um preço muito superior ao que esperava. Deixa-me oferecer-te esse candeeiro. E sorriu mais uma vez.

Clara baixou a cabeça em sinal de assentimento e incapaz de fitar aqueles olhos negros como a noite, sem se deliciar. O rapaz pagou e ainda insistiu em acompanhá-la até à saída da cidade. Antes de se separarem deram as mão e depois de se olharem profundamente nos olhos, prometeram que haviam de se encontrar outra vez.

Pronto, a mãe podia deixar de chorar. Clara tinha agora a certeza que ia ser feliz.

 

 

It is told that the one who breakes a mirror will have seven years of bad luck. Well, in Clara's village, there is a belief that someone who breaks a candlestick, will not be happy, unless he or she gets another one as a gift.

Clara has many doubts about this belief, but after seeing her mother crying around the house for a couple of days, when she broke a candlestick, decided to went to the market and buy another one and somehow try to repair the situation.

She arrived early at the market, and distracted in finding someone selling candlesticks, didn't noticed in a small donkey loaded with firewood, and she chashed against it. The poor animal shook it's head frightened, and Clara took a carrot from her morning snack and gave it to the animal.

She resumed her path wasting no time and finally found Mustafa's tent. There she found all sort of lamps, lucernas and candlesticks and no ideia what to choose. She asked Mustafa's help, explaining that she wanted something robust, not easily breakable. She didn't wanted her mother crying again anytime soon.

Mustafa smiled and helped her to choose a good candlestick feated to her intentions. They argued about the price, as usual, and while Clara grabbed in her purse the money agreed, a rough hand gave Mustafa the money. On turning back Clara saw a strong tall young man, with a dark full beard, and with the most beautiful smile in the world.Said he:

- You gave me luck sweet girl. Right after i found you feedind my donkey with a carrot, sold all the firewood for a much higher price than expected. Let me offer you that candlestick. And smile once again.

Clara put her head down acepting the offer, unable to look in to those deep eyes, black as the night, without delight. The boy payed of and insisted in escort her to the city exits. Before they leave, gave hands and after a deep look in each other eyes, promesing that they would meet again.

So, there's no need to mother keep whining. Clara was now certain that she was going to be happy no mather what.

Hazim, o boticário | Hazim, the apothecary

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No mercado, a tenda de Hazim é das mais visitadas, não fosse ele um respeitado boticário. A ele recorrem inúmeras vezes e as suas poções e beberagens são conhecidas por possuírem uma elevada taxa de êxito.

Tendo sido abandonado logo após o nascimento, Hazim for criado pelo seu avô, pois possuía umas manchas muito invulgares na pele. Os seus pais temeram que ele fosse um feiticeiro e rejeitaram-no.

Foi do avô que herdou o vasto conhecimento que possui sobre as propriedades das mais variadas plantas e animais. Cresceu rodeado de ervas, bagas e frutos, mas também de ossos, secreções e orgãos de inúmeros animais.

Hoje, partilha o legado do avô com aqueles que precisam, no mercado. A sua tenda está repleta de recipientes com ervas, unguentos e loções, mas também chás e outras beberagens. Hazim diz-se capaz de curar quase tudo: dores, constipações e gripes, ossos partidos e até delírios e alucinações.

A todos Hazim procura ajudar e curar. Todos quantos o procuram, sabem que o encontraram ao vislumbrar uma caveira que sorri à entrada da tenda.

 

Hazim's corner in the market is one of the most visited stands. In fact, he is one respected apothecary. His beverages, and potions are knowned for keeping a high rate of success.

Being abandoned at birth, Hazim was rased by his grandfather, as he had some misterious and uncommum signs on his skin. His parents believed he was a sourcerer and rejected him.

It was from his grandfather that Hazim got most of the vast knowledge that he possesses, about the properties of a variety of plants and animals. He grew up surronded by herbs, berrys and fruits, but also by bones, secretions and organs of all kind of animals.

Today he shares is grandfather legacy in the market, with the ones who need. His tent is crowded with containers filled with herbs, lotions and unguents, but also with all sorts of tee and all kind of beverages. Hazim claims to be able to heal almost everything: pain, colds and flu, broken bones, hallucinations and delusions.

Hazim tryes to help everyone he possibly can. Everyone who seek for him, know that could find him, at the sight of a smiling skull by the entrance of Hazim's tent.

Caravana | Caravan

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Eis que a caravana chega ao mercado da cidade!

Foram vários dias a percorrer as aldeias mais distantes do deserto, em busca das mais belas cerâmicas, dos chás mais saborosos ou das tapeçarias mais requintadas. Foram inúmeros os dias em que acamparam mal o sol ameaçava partir, longe de tudo e de todos, suportando o frio da noite no aconchego da fogueira e ao som do alaúde.

A caravana traz consigo o cheiro a animais, a suor e a fumo. Traz a pele tisnada pelo sol e a garganta sedenta de uma bebida fresca. Traz cabelos encrespados, misturados com vento e areia, mas traz também sorrisos imensos que mostram a felicidade da liberdade que só sente quem pode percorrer mundos fantásticos, sem amarras.

Amanhã será dia de expor os artigos que trouxeram e regatear afincadamente cada item. Mas por agora, é preciso descansar, não sem antes tratar dos animais, que tão valentemente resistiram a cada dia. E depois sim, tomar um banho, comer uma refeição de carne fresca, beber até matar a sede e dormir pela primeira vez em muitos dias, numa cama fofa.

 

There it is: the caravan just arrived to the market town!

It took countless days to cover the most distant villages of the desert, in search of the most beautifull pottery, the tastiest tee, or the most exquisite tapestry. There were countless days in witch they camped in the meedle of nowhere, as soon as the sun started to go down, bearing the cold of the night with a nice warm fire, listening lute player.

The caravan brings with it the smell of animals, sweat and smoke. It brings some tarnished skin from the sun and thirsty mouths longing for a cold drink. It brings roughened hair by wind and sand, but it also brings big smiles that shown the happiness of freedom only felt by those that may scroll fantastic worlds, without being tied to anything.

Tomorrow they will exhibit their relic and doggedly bargain for each one. But for now, they must rest, not before taking care of the animals that bravelly resisted and endured each day. Finally, after that, it's time to take a long shower, eat a fresh meat meal, drink until all the thirst became a bad memorie and sleep in a soft confy bed, in a long long time.

Armas | Weapons

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Num recanto discreto do mercado, contrariamente às restantes bancas, negoceia-se de forma discreta e em voz baixa. O motivo: compram-se armas. 

Aqui, no mercado de uma grande cidade, já é raro fazer negócios deste tipo. São poucos os que as procuram e quem as compra é inclusivamente olhado de soslaio.

Os principais clientes desta mercadoria, são os tuaregues que raramente são vistos por aqui e que passam a maior parte do seu tempo embrenhados no deserto, dirigindo caravanas, ou trabalhando como mercenários em escaramuças entre tribos do deserto profundo.

À passagem dos tuaregues, quase todos se desviam, como se simplesmente tocar nas suas vestes fosse sinónimo de alguma maldição. A verdade é que a sua pele particularmente escura, assim como as suas roupas negras esvoaçantes e as armas que trazem consigo e que não receiam mostrar, provoca na população um sentimento de temor e insegurança. À sua passagem, ouve-se não só o roçagar das suas vestes, mas um murmúrio de todos quantos sussurram, comentando o motivo de tal presença num mercado sofisticado e evoluído.

Na verdade, os tuaregues emanam uma aura de mistério, aventura e risco. Sem confessarem, muitos são aqueles que têm curiosidade perante este estilo de vida meio obscuro e clandestino.

 

In a discreet corner of the market, in opposite of what's happening in the rest of the stalls, the negotiations are taking place discreetly and in a much lower voice tone. The reason: weapons are beeing sold.

Here, in a big city market, these king of business is unusual. Very few are interested and the buyers are looked aside. Touaregues are the most common buyers, wich are rarely seen in a big city. Most of the times, they are living deep in the desert, directing caravans or working as mercenaries in the disturbances between desert tribes.

Everyone step aside as the touaregues go by, as if touching their robes was a curse. The truth is that their dark skin, flying robes and the weapons, cause some fear and insecurity. As they pass by, a whisper can be heard, coming from the people that talk about the reason why those strange creatures are visiting a sofisticated and modern market.

The touaregues have a certain mistery, adventure and risk thing. Without admiting it, many have curiosity for this obscure and almost illegal king of life.

Akilah e Khalidah

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Já lá vão muitos anos desde que Akilah e Khalidah percorriam as ruas do mercado em liberdade: pés descalços e cabelos ao vento, brincando e jogando enquanto as suas mães faziam as compras.

Mais tarde, já adolescentes, ainda livres sentavam-se junto ao poço e dissertavam sobre que tipo de homem lhe calharia em sorte.

Khalidah sonhava com um príncipe que chegaria numa das caravanas e que a levaria a percorrer o mundo. Também costumava dizer que só casaria, se fosse capaz de ver o futuro nos olhos do rapaz. Recusava-se terminantemente a casar só porque a família assim o determinasse. Fugiria, se assim fosse, dizia ela.

Akilah, de carácter mais submisso, sonhava apenas com um homem bom e que a tratasse bem.

Hoje, Khalidah percorre o país a vender produtos vários. O sonho do príncipe já lá vai distante. Pelo menos ela e o marido têm o mesmo sonho: que a sua filha cresça, educada e informada e sobretudo livre de imposições fundamentalistas. Os olhos de ambos brilham ao falarem na pequena. E isso é o futuro. Khalidah está feliz.

Por seu lado, Akilah casou com o vizinho que conhece desde sempre e que lhe atirava pedras em garotos. Juntos vivem pacatamente, no oásis, educando os dois filhos para a paz e sobretudo bom senso.

Os encontros mensais no mercado servem para as amigas se reverem e renovar os laços de amizade que as unem. Os seus filhos já se conhecem, claro, e hoje são eles que percorrem o mercado em liberdade.

O mercado

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Os sons do mercado do oásis ouvem-se à distância. Os gritos das mulheres, ora regateando preços, ora chamando pelas crianças que insistem em fugir do seu olhar protector. Os sons dos muitos animais que o mercado junta: camelos, burros, ovelhas, cabras, que parecem curiosos uns com os outros e não páram de bradar bem alto. 

E os cheiros: do couro, da madeira, do metal, das especiarias, do azeite, do chá e do fumo...

É uma alegria percorrer o mercado que chega ao oásis uma vez por mês e apreciar todos os produtos que ali são apresentados: um novo tecido, um chá mais apurado, jóias mais bonitas que as do mês anterior. 

Juntam-se neste mercado gentes dos arredores. O tagarelar das mulheres é constante sabendo das novidades de perto e de mais além. Junto ao poço o vai-vem é constante para abastecer a caravana que em breve se fará ao caminho para levar o mercado a outras paragens.

Por agora é hora de regatear preços, elogiar cada produto, arrancar cabelos para conseguir o melhor preço e fazer o melhor negócio.