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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

No oásis | At the oasis

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É dia de festa no oásis: celebra-se a deusa Bastet, protectora da casa.

Hoje, desde o nascer até ao pôr-do-sol, todas as casas têm as suas portas e janelas abertas, para que o poder da deusa as inunde e as purifique. Nos seus quintais e à entrada das casas, há pequenos lanches, numa partilha entre vizinhos. Todos apresentam as suas melhores receitas e disponibilizam as bebidas mais saborosas aos outros, na esperança que a deusa abençoe as suas casas durante o próximo ano.

É um dia em que o vai-vem de gente é permanente e em que literalmente todos passam o dia na rua, pondo fim a vários dias dedicados à casa, fazendo limpezas, arrumando e desfazendo-se do que já não presta, preparando assim a vinda da deusa dia.

Ao pôr-do-sol, todos se reúnem e fazem uma grande fogueira onde cada família apresenta um dos artigos que não sobreviveu às limpezas e o atira para a fogueira, como oferenda para a deusa e em sinal da sua disponibilidade para cuidar sempre da casa.

 

It's festivity day in the oasis: everyone is celebrating Bastet, protective godess of the home.

Today, since run rise until the sun down, all the houses have it´s doors and windows wide open, so the godess power can flood and purify them. In the backyards and at the doorways, there are snacks to share with all the neighbours. Everyone presents their best recipes and make available the most tasteful drinks, hoping for the godess blessings in the next year.

Throughout the day, there's a continuous come and go as eveybody spends all day out, wandering from house to house, ending this way several days devoted to their own homes, cleaning and tidying them up in preparation of the godess day.

By the sun down, everyone gathers and make a huge fire, where each family sacrifices one object from their home, burning it as an offer to the godess and representing their will to always take care of home. 

Azar ou sorte? | Bad luck or good luck?

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Diz-se que quem parte um espelho tem sete anos de azar. Pois bem, na aldeia da Clara, acredita-se que quem parte um candeeiro não será feliz, a menos que alguém lhe ofereça um novo rapidamente.

A Clara tem as suas dúvidas quanto a esta crença, mas depois de a sua mãe chorar baixinho dias seguidos pela casa, após esta quebrar um candeeiro, a rapariga lá se decidiu a ir ao mercado e comprar um novo, para ver se remediava a situação.

Chegou ao mercado bem cedo e distraída à procura da tenda que vendia o que pretendia, nem reparou num pequeno burro carregado de lenha, com o qual chocou. O animal abanou a cabeça assustado, mas Clara retirou uma cenoura que trazia para o seu lanche e confortou o animal que num instante engoliu a iguaria.

Seguiu caminho rapidamente sem perder mais tempo, até que encontrou a tenda de Mustafá. Ali encontrou a mais variada selecção de lamparinas, lucernas, candeeiros e candeias e ela sentiu-se perdida. Pediu ajuda a Mustafá, explicando que queria uma coisa robusta que não se partisse facilmente. Não queria ter a mãe a chorar pelos cantos tão depressa.

Mustafá sorriu perante a atrapalhação da rapariga e ajudou-a a escolher um candeeiro que satisfizesse os seus requisitos. Regatearam um pouco o preço como é habitual e quando Clara procurava na sua bolsa o valor acordado, uma mão áspera mas forte estendeu a Mustafá as moedas necessárias. Clara voltou-se e encontrou um rapaz alto e forte com a cara coberta de uma barba cerrada e escura, mas com o sorriso mais bonito do mundo. Disse ele:

- Deste-me sorte rapariga, depois de te ter encontrado e de o meu burro ter comido a tua cenoura, vendi toda a lenha que trazia por um preço muito superior ao que esperava. Deixa-me oferecer-te esse candeeiro. E sorriu mais uma vez.

Clara baixou a cabeça em sinal de assentimento e incapaz de fitar aqueles olhos negros como a noite, sem se deliciar. O rapaz pagou e ainda insistiu em acompanhá-la até à saída da cidade. Antes de se separarem deram as mão e depois de se olharem profundamente nos olhos, prometeram que haviam de se encontrar outra vez.

Pronto, a mãe podia deixar de chorar. Clara tinha agora a certeza que ia ser feliz.

 

 

It is told that the one who breakes a mirror will have seven years of bad luck. Well, in Clara's village, there is a belief that someone who breaks a candlestick, will not be happy, unless he or she gets another one as a gift.

Clara has many doubts about this belief, but after seeing her mother crying around the house for a couple of days, when she broke a candlestick, decided to went to the market and buy another one and somehow try to repair the situation.

She arrived early at the market, and distracted in finding someone selling candlesticks, didn't noticed in a small donkey loaded with firewood, and she chashed against it. The poor animal shook it's head frightened, and Clara took a carrot from her morning snack and gave it to the animal.

She resumed her path wasting no time and finally found Mustafa's tent. There she found all sort of lamps, lucernas and candlesticks and no ideia what to choose. She asked Mustafa's help, explaining that she wanted something robust, not easily breakable. She didn't wanted her mother crying again anytime soon.

Mustafa smiled and helped her to choose a good candlestick feated to her intentions. They argued about the price, as usual, and while Clara grabbed in her purse the money agreed, a rough hand gave Mustafa the money. On turning back Clara saw a strong tall young man, with a dark full beard, and with the most beautiful smile in the world.Said he:

- You gave me luck sweet girl. Right after i found you feedind my donkey with a carrot, sold all the firewood for a much higher price than expected. Let me offer you that candlestick. And smile once again.

Clara put her head down acepting the offer, unable to look in to those deep eyes, black as the night, without delight. The boy payed of and insisted in escort her to the city exits. Before they leave, gave hands and after a deep look in each other eyes, promesing that they would meet again.

So, there's no need to mother keep whining. Clara was now certain that she was going to be happy no mather what.

Hazim, o boticário | Hazim, the apothecary

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No mercado, a tenda de Hazim é das mais visitadas, não fosse ele um respeitado boticário. A ele recorrem inúmeras vezes e as suas poções e beberagens são conhecidas por possuírem uma elevada taxa de êxito.

Tendo sido abandonado logo após o nascimento, Hazim for criado pelo seu avô, pois possuía umas manchas muito invulgares na pele. Os seus pais temeram que ele fosse um feiticeiro e rejeitaram-no.

Foi do avô que herdou o vasto conhecimento que possui sobre as propriedades das mais variadas plantas e animais. Cresceu rodeado de ervas, bagas e frutos, mas também de ossos, secreções e orgãos de inúmeros animais.

Hoje, partilha o legado do avô com aqueles que precisam, no mercado. A sua tenda está repleta de recipientes com ervas, unguentos e loções, mas também chás e outras beberagens. Hazim diz-se capaz de curar quase tudo: dores, constipações e gripes, ossos partidos e até delírios e alucinações.

A todos Hazim procura ajudar e curar. Todos quantos o procuram, sabem que o encontraram ao vislumbrar uma caveira que sorri à entrada da tenda.

 

Hazim's corner in the market is one of the most visited stands. In fact, he is one respected apothecary. His beverages, and potions are knowned for keeping a high rate of success.

Being abandoned at birth, Hazim was rased by his grandfather, as he had some misterious and uncommum signs on his skin. His parents believed he was a sourcerer and rejected him.

It was from his grandfather that Hazim got most of the vast knowledge that he possesses, about the properties of a variety of plants and animals. He grew up surronded by herbs, berrys and fruits, but also by bones, secretions and organs of all kind of animals.

Today he shares is grandfather legacy in the market, with the ones who need. His tent is crowded with containers filled with herbs, lotions and unguents, but also with all sorts of tee and all kind of beverages. Hazim claims to be able to heal almost everything: pain, colds and flu, broken bones, hallucinations and delusions.

Hazim tryes to help everyone he possibly can. Everyone who seek for him, know that could find him, at the sight of a smiling skull by the entrance of Hazim's tent.

Caravana | Caravan

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Eis que a caravana chega ao mercado da cidade!

Foram vários dias a percorrer as aldeias mais distantes do deserto, em busca das mais belas cerâmicas, dos chás mais saborosos ou das tapeçarias mais requintadas. Foram inúmeros os dias em que acamparam mal o sol ameaçava partir, longe de tudo e de todos, suportando o frio da noite no aconchego da fogueira e ao som do alaúde.

A caravana traz consigo o cheiro a animais, a suor e a fumo. Traz a pele tisnada pelo sol e a garganta sedenta de uma bebida fresca. Traz cabelos encrespados, misturados com vento e areia, mas traz também sorrisos imensos que mostram a felicidade da liberdade que só sente quem pode percorrer mundos fantásticos, sem amarras.

Amanhã será dia de expor os artigos que trouxeram e regatear afincadamente cada item. Mas por agora, é preciso descansar, não sem antes tratar dos animais, que tão valentemente resistiram a cada dia. E depois sim, tomar um banho, comer uma refeição de carne fresca, beber até matar a sede e dormir pela primeira vez em muitos dias, numa cama fofa.

 

There it is: the caravan just arrived to the market town!

It took countless days to cover the most distant villages of the desert, in search of the most beautifull pottery, the tastiest tee, or the most exquisite tapestry. There were countless days in witch they camped in the meedle of nowhere, as soon as the sun started to go down, bearing the cold of the night with a nice warm fire, listening lute player.

The caravan brings with it the smell of animals, sweat and smoke. It brings some tarnished skin from the sun and thirsty mouths longing for a cold drink. It brings roughened hair by wind and sand, but it also brings big smiles that shown the happiness of freedom only felt by those that may scroll fantastic worlds, without being tied to anything.

Tomorrow they will exhibit their relic and doggedly bargain for each one. But for now, they must rest, not before taking care of the animals that bravelly resisted and endured each day. Finally, after that, it's time to take a long shower, eat a fresh meat meal, drink until all the thirst became a bad memorie and sleep in a soft confy bed, in a long long time.

Armas

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Num recanto discreto do mercado, contrariamente às restantes bancas, negoceia-se de forma discreta e em voz baixa. O motivo: compram-se armas. 

Aqui, no mercado de uma grande cidade, já é raro fazer negócios deste tipo. São poucos os que as procuram e quem as compra é inclusivamente olhado de soslaio.

Os principais clientes desta mercadoria, são os tuaregues que raramente são vistos por aqui e que passam a maior parte do seu tempo embrenhados no deserto, dirigindo caravanas, ou trabalhando como mercenários em escaramuças entre tribos do deserto profundo.

À passagem dos tuaregues, quase todos se desviam, como se simplesmente tocar nas suas vestes fosse sinónimo de alguma maldição. A verdade é que a sua pele particularmente escura, assim como as suas roupas negras esvoaçantes e as armas que trazem consigo e que não receiam mostrar, provoca na população um sentimento de temor e insegurança.

À sua passagem, ouve-se não só o roçagar das suas vestes, mas um murmúrio de todos quantos sussurram, comentando o motivo de tal presença num mercado sofisticado e evoluído.

Na verdade, os tuaregues emanam uma aura de mistério, aventura e risco. Sem confessarem, muitos são aqueles que têm curiosidade perante este estilo de vida meio obscuro e clandestino.

Akilah e Khalidah

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Já lá vão muitos anos desde que Akilah e Khalidah percorriam as ruas do mercado em liberdade: pés descalços e cabelos ao vento, brincando e jogando enquanto as suas mães faziam as compras.

Mais tarde, já adolescentes, ainda livres sentavam-se junto ao poço e dissertavam sobre que tipo de homem lhe calharia em sorte.

Khalidah sonhava com um príncipe que chegaria numa das caravanas e que a levaria a percorrer o mundo. Também costumava dizer que só casaria, se fosse capaz de ver o futuro nos olhos do rapaz. Recusava-se terminantemente a casar só porque a família assim o determinasse. Fugiria, se assim fosse, dizia ela.

Akilah, de carácter mais submisso, sonhava apenas com um homem bom e que a tratasse bem.

Hoje, Khalidah percorre o país a vender produtos vários. O sonho do príncipe já lá vai distante. Pelo menos ela e o marido têm o mesmo sonho: que a sua filha cresça, educada e informada e sobretudo livre de imposições fundamentalistas. Os olhos de ambos brilham ao falarem na pequena. E isso é o futuro. Khalidah está feliz.

Por seu lado, Akilah casou com o vizinho que conhece desde sempre e que lhe atirava pedras em garotos. Juntos vivem pacatamente, no oásis, educando os dois filhos para a paz e sobretudo bom senso.

Os encontros mensais no mercado servem para as amigas se reverem e renovar os laços de amizade que as unem. Os seus filhos já se conhecem, claro, e hoje são eles que percorrem o mercado em liberdade.

O mercado

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Os sons do mercado do oásis ouvem-se à distância. Os gritos das mulheres, ora regateando preços, ora chamando pelas crianças que insistem em fugir do seu olhar protector. Os sons dos muitos animais que o mercado junta: camelos, burros, ovelhas, cabras, que parecem curiosos uns com os outros e não páram de bradar bem alto. 

E os cheiros: do couro, da madeira, do metal, das especiarias, do azeite, do chá e do fumo...

É uma alegria percorrer o mercado que chega ao oásis uma vez por mês e apreciar todos os produtos que ali são apresentados: um novo tecido, um chá mais apurado, jóias mais bonitas que as do mês anterior. 

Juntam-se neste mercado gentes dos arredores. O tagarelar das mulheres é constante sabendo das novidades de perto e de mais além. Junto ao poço o vai-vem é constante para abastecer a caravana que em breve se fará ao caminho para levar o mercado a outras paragens.

Por agora é hora de regatear preços, elogiar cada produto, arrancar cabelos para conseguir o melhor preço e fazer o melhor negócio. 

Negócios escuros

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Samhir é vendedor de antiguidades em Kalba, a cidade mais próxima das famosas ruínas de El-Sharjah, onde segundo contam as lendas, se escondem preciosos tesouros de reis touareg cuja linhagem há muito se perdeu.

Arat é arqueólogo nas horas vagas. Procura uns tais tesouros perdidos, por conta própria, a horas pouco dignas. É um ladrão de tumbas, na verdade. E ganha a vida vendendo e regateando até à exaustão os preços das peças que vai encontrando, sejam elas de muito ou pouco valor. É um negociante aguerrido que todos conhecem.

Às primeiras horas da aurora, num recanto bem escondido do oásis, Samhir e Arat encontram-se para discutir um negócio. As leis mais antigas dos comerciantes mandam que, em vista de um negócio difícil, se beba chá antes de encetar qualquer negociação. Porém, hoje, ninguém trouxe chá e a negociação começa à sombra de armas que ambos os negociantes empunham. 

Aos seus pés, sobre a areia que começa a aquecer, um escorpião procura um abrigo mais adequado à temperatura que se fará sentir em breve. A sua passagem é um auspício de que as negociações vão ser duras. E não é para menos. Os artefactos em causa, são valiosos e ambos os negociantes o sabem. O clima vai-se tornando mais tenso, à medida que o sol se ergue no céu.

Após duras negociações, ambos retiram algum proveito do encontro. Samhir conseguiu um preço razoável por um dos artigos que pretendia. No entanto, Arat foi irredutível quanto ao preço final de um pote banhado a ouro, para o qual já tem um valor bastante elevado prometido e ao qual Samhir não conseguiu chegar.

O ritual do chá que deveria ter dado início às negociações, será agora realizado num dos salões do oásis, já num clima mais apaziguado e com as armas embainhadas.

Aventuras...

A frescura do oásis sente-se primeiro na pele, mas assim que inspiram o ar impregnado de humidade, sentem-se leves, quase que embriagados, depois de terem suportado dias a fio o inferno do deserto. 

 

Aventureiros natos, amigos de aventuras estranhas e parceiros de descobertas longínquas, Jack e Melissa nunca tinham enfrentado um desafio assim. Certos de que a sua experiência os levaria a atravessar o deserto com facilidade, foi com relutância que ao fim de alguns dias assumiram que desta vez, o empreendimento estava de facto a ser muito duro.

 

Desta vez, acompanharam uma expedição local, que lhes possibilitava conhecer alguns dos túmulos de reis faraónicos mais escondidos, e por isso menos conhecidos. Seria uma experiência única e a promessa de que poderiam editar um livro com o relato da aventura, fê-los embarcar confiantes na aventura.

 

Mas a inclemência do deserto atingiu-os sem brandura e e a escassez de água, o calor intenso, e a paisagem imutável, deixou-os com a moral muito ferida. Claro que visitaram alguns dos túmulos que pretendiam, mas a passagem da caravana perto do oásis, fê-los repensar os objectivos traçados e questionar a sua contenda. Por agora ficam um dias no oásis. Irão tirar fotografias, entrevistarão os habitantes e reformularão o seu projecto.

 

Mas primeiro que tudo, vão tomar banho e dormir a sesta numa sombra fresca.

 

Má sorte no deserto

É verdade que o deserto é adverso, e aqueles que arriscam demais e menosprezam o que por lá se passa, acabam muitas vezes em maus lençóis. Conheço inúmeras histórias de viajantes, aventureiros ou salteadores, que caíram nas armadilhas das criaturas que vivem no deserto e que fazem dele uma espécie de organismo vivo, com uma vontade muito particular.

 

Uma delas conta que um salteador de tesouros contratou 2 habitantes de um oásis longínquo e que os obrigou a escavar horas a fio sob o intenso sol do deserto. Os coitados estavam tão exaustos quando por fim descobriram o tesouro que encontraram, que nem se aperceberam da avidez mesquinha com que o seu carcereiro os empurrou para o lado e escavou com as próprias mãos o pouco que faltava.

 

Com o que nenhum deles contava era com a areia movediça que estava ali tão perto e onde o maléfico salteador ficou preso, mal deu os primeiros passos cantando vitória com o tesouro nas mãos. Mesmo que quisessem, os pobres prisioneiros não teriam forças para o retirar dali. por isso ali ficaram a vê-lo ser engolido pelo deserto enquanto gritava com todas as suas forças.