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PLAYMOBLOG

Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

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Estas pequenas figuras foram os heróis da minha infância. Os clicks valeram-me horas de brincadeiras partilhadas com os amigos lá da rua. Estiveram vários anos encaixotados. Hoje são um legado para a minha filha.

Marinheiro novato | Rookie sailor

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Chega hoje ao fim a primeira semana de mar do Carlos. Perdeu 5 quilos. Está sempre mal disposto, mal consegue meter uma bolacha de aveia na boca e pouco dorme, por ainda não se ter habituado ao maldito balanço do navio. Dizem que a primeira semana é a pior e que o mar está no sangue de quem não desistir nestes 5 dias.

O Carlos já nem se dá ao trabalho de contar os dias. Limita-se a cumprir as suas tarefas, sempre nauseado e agradece quando alguém o manda lá acima inspeccionar as velas. Já não suporta o cheiro da madeira e do cordame e lá em cima consegue fugir desses odores.

Esta será a sua vida daqui para a frente. O pai, cansado de o ver perder os dias a fugir da escola e a vaguear pelas ruas sempre com uma beata ao canto da boca, pregou-lhe um calduço e arrastou-o por uma orelha para o cais. Através de um amigo, conseguiu que o aceitassem num navio mercante como aprendiz de marinheiro. A sua primeira viagem durará 3 meses. O primeiro mês será à experiência e se o rapaz se der bem, já poderá receber o ser primeiro ordenado no segundo mês.

Longe de casa, sem dinheiro e com a restante tripulação a exigir que cumpra as suas tarefas, pode ser que o rapaz ganhe juízo.

 

Ends today Carlos first week in the sea. Already loss 5 quilos. He is always sea sick, barely can eat an oat cookie and sleeps almost nothing as he can't get use to the balance of the damned ship. They say the first week is the worst and that the ones who survive it, have the sea in the blood.

Carlos in no longer counting the days. He just fulfil his tasks, always nauseated, thanking every time time someone tells him to go up and check the sails. He doesn't stand the smell of ship's wood and rigging. At least up there his nose is safe from it.

This will be his life from now on. One day, his dad, tired of seeing him waste his days skeepping school and wandering the streets with a cigar on his mouth, slap him, and drag him to the docks. A friend of a friend manage to get Carlos accepted in a merchant ship as a rookie sailor. His first trip should last three mouths. The first mouth he will not get paid. Only in the second mouth he's gonna get his first salary.

Carlos should get some sense in the head, as he is far from home, without money and with the rest of the crew demanding to fulfil his tasks. His dad hope that so.

Cacilheiro

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O rio estende-se aos pés da cidade tranquilo e manso. O tio Joaquim conhece-o bem. Começou a pescar aqui com o seu avô, atendo ao vai-vem dos pequenos barcos que o navegavam. Cresceu pelos pequenos cais e pelas pequenas praias onde o avê pescava, sempre de pés molhados. A escola dizia-lhe pouco e sentia-se enjoado longe do rio.

Tal como ele, a cidade também cresceu e era preciso começar a transportar mais e mais pessoas. Construíram os Cacilheiros, e claro, precisaram de marinheiros para os manobrar. Gaiato e ainda sem terminar nenhum grau de ensino, o tio Joaquim deixou a escola, para se dedicar a atracar os cacilheiros num vai-vem sem fim. A rotina não quebrou o seu espírito e depois de ter deixado a escola, voltou a ela uns anos depois, para poder ser Mestre.

A cabeça doia-lhe e pesava cada vez que se agarrava aos livros. As letras faziam-no afundar-se num sono profundo e os números faziam-lhe doer a barriga de tanto os tentar compreender. Foi uma batalha dura, mas venceu-a. Completou a escolaridade mínima para poder ser Mestre, que é onde é verdadeiramente feliz.

 

The river lays calm and submiss at the city's feet. Uncle Joaquim knows it very well. He started to fish here with his gradfather, paying attention to the movemmnet of the small boats in a continuous come and go. He grew up along the small piers and small beaches here is grandfather used to fish, always with wet feet. School told him nothing and he felt sick while away from the river.

As he, so the city grew, and the need to carry more and more people grew also. They build some ships - the Cacilheiros, and neeeded some men to maneuver them. As so, uncle Joaquim left school, without completing any schoolar degree and started do dock cacilheiros in a never ending pendulum journey. Routine didn't break his spirit and a few years after dropping school, he returned, so he could be Mestre, and take cacilheiro's wheel.

His head hurt whenever he grabbed a book to study. Letters made him sunk in a deep sleep, and numbers made his tummy hurt from trying to understand them. It was a hard battle, but he won it. He completed school years needed to became Mestre, where he is truly happy.

Embarcação nova | New ship

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Depois do sucesso alcançado com a última regata, e ao ver o entusisamo dos irmãos, a família juntou-se e com algum esforço, ofereceram à Natália e ao Jorge, uma fantástica prenda de Natal: uma embarcação nova para as suas regatas.

Os irmãos ficaram tão mas tão felizes que prometeram ali mesmo esforçar-se cada vez mais e ir aos Jogos Olímpicos. Pela face da mãe deslizaram duas ou três lágrimas de alegria quando o Pedro, o seu professor prontificou-se a ajudá-los a perseguir esse objectivo. Ele sabe o esforço que isso implica, mas vendo a determinação no rosto das crianças, a alegria da mãe e o apoio incondicional da família, acredita que lá chegarão.

Por agora é hora de lançar o Albatroz à água e treinar, treinar e treinar. Mas acima de tudo é preciso fazer também com que os miúdos se divirtam para que não percam a motivação.

Tudo pronto. Rumo aos Olímpicos então!

 

After the success that the brothers achieved at their last race, the family got together, and will a little bit of effort they manage to give the kids one fantastic Christmas gift: a brand new ship!

The kids were so so happy, that promissed right there to commit even harder to get to the Olympics. Trought their mothers face rolled down a few happy tears, when Pedro, their coach agreed to helped them to achieve that goal. He knows how much effort does it take to get there, but the firm look of the kids, the mother's happiness and family support, he believes that they could get there.

For now, it's time to put Albatross in the water, and work, work, and work even harder. But most of all, the kids must have fun, to keep their motivation in high spirit.

All set! Heading to the Olympics then!

 

A fotografia | Old photo

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É o meu pai nesta fotografia.

Estão a ver ali atrás o farol? Era a sua paixão. Sempre que falava dele, os olhos brilhavam e um sorriso enorme transparecia através daquela barba cerrada que picava quando me beijava.

O meu pai cheirava a mar. Carregava aquele cheiro para onde quer que fosse, fruto de tantas horas passadas a vigiar, a contemplar e a admirar. Não houve uma vez que lhe tocasse os cabelos e os sentisse lisos e sedosos. Estavam sempre emaranhados e encrespados.

A sua pele era encaracolada como a de uma folha de papel mil vezes dobrada e desdobrada. Menos as mãos. Dizem-me que passou a cuidar das mãos quando eu nasci. A minha mãe não sobreviveu ao parto e foram as suas mãos que cuidaram sempre de mim.

Conheço de cor o mar. Quando muda de cor, quando se encrespa, quando vem aí tempestade. Cresci no seu embalo, adormeci e acordei tantas e tantas noites ao som dos seus caprichos: ora bonança, ora tempestade. Ora ondas suaves a bater nas rochas e o grito das gaivotas contentes de barriga cheia, ora ondas gigantescas a abaterem-se com um som cavernoso nas rochas, ora vento a soprar e a assobiar.

Perdi hoje o meu pai, mas sei que o encontrarei sempre que chegar junto ao seu mar e ao seu farol.

 

It's my father in this photograph.

See, right there the lighthouse? It was his paisson. Whenever he talked about it, his eyes sparkled and a huge smile shined trough that full beard witch stinged when he kissed me.

My father smelled like the sea. He use to carry that smell wherever he went. He got it from the many hours he spent watching, and guardin and admiring it from the lighthuse. Not only once i ran my fingers trough his hair and find it soft and smooth. His hair was always curly and tangled.

His skin was wrinkled as a piece of paper one thousand times smashed and unsmashed. But not his hands. People told me that he started to take care of his hands right after he picked me up for the first time. My mother died at labour, so my father took care of me, with soft hands.

I know the sea. I know it's mood: when it changes colour and when it gets rough right before the storm. I grew up rocked by the sound of the waves, some times sotf, some times raging.

Today i lost my father, but i know i'll find him by his sea and his lighthouse.

Windsurf: Primeira aula

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As aulas de windsurf começaram hoje. Desde pequeno que o Pedro é frequentador das águas calmas da baía. Começou a chapinhar nas poças, depois atreveu-se a mergulhar do cais, atravessou a baía a nado. Experimentou a vela, a canoagem, o mergulho, o kite surf e o stand-up paddel, mas a sua paixão é o windsurf.

Hoje, depois de vários anos a dominar a técnica, inaugurou as primeiras aulas de windsurf na baía. A Casa dos Pescadores, colectividade local, apoiou a sua ideia e arranjou algumas pranchas e velas para os principiantes.

O Pedro espera transmitir a sua paixão aos alunos e quem sabe organizar os distritais do próximo ano e até ter algum dos seus alunos nos primeiros lugares! 

Perigo no mar

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Encharcados e cansados, os pilotos acabam de chegar. Quem vê agora o mar e o céu, não diz que ainda há pouco mais de uma hora, esta gente estava a enfrentar vagas de vários metros de altura e uma chuvada como há muito não se via.

Tiveram por missão, conduzir para dentro da barra um petroleiro que precisa de reparações, e cujo estaleiro se situa à entrada do estuário.

Subir para o navio já foi uma aventura, mas o verdadeiro desafio foi trazer para dentro da barra um navio de dimensões tão grandes com aquele temporal. As condições eram tão adversas e tantas as dificuldades, que por várias vezes quase desistiram.

Demoveu-os o facto de o navio não estar nas melhores condições e de correr sérios riscos de sucumbir, o que seria um grave desastre ambiental.

Decidiram, apesar das dificuldades, levar o navio para dentro da barra, onde estaria um pouco mais abrigado e a salvo de algum desastre.

E foi assim que, com a ajuda dos rebocadores, se esforçaram ao máximo e que conseguiram! A esta hora, o navio já estará a chegar ao estaleiro, onde irá sofrer as intervenções necessárias.

Quanto aos pilotos, vão a caminho do Neptuno, o bar mais conhecido do cais, com mais uma história de gente valente, para contar.

A preparação da corrida

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O dia não podia estar melhor para a equipa ir para dentro de água testar o seu mais recente barco de corrida. Patrocínio novo, equipamentos novos, motivação no alto e as melhores condições para correr.

A máquina portou-se lindamente, o piloto deu o melhor de si e a equipa ficou contente com todo o seu trabalho de afinação, reparação e manutenção. Foi um dia em cheio e regressam todos a casa confiantes no seu trabalho.

Resta esperar que para a semana as condições se mantenham e que a equipa ganhe o título que há tantos anos persegue e que agora parece estar tão perto. Vai ser uma semana de nervos à flor da pele a preparar os últimos detalhes. Vai ser um dia de corrida sentido loucamente e que todos esperam de grande felicidade.

Quetzal e Ariane

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O Quetzal carregava consigo um tesouro arqueológico de grande dimensão, que estava a ser deslocado de um dos ilhéus das Antilhas para o continente, a fim de ser estudado e divulgado.

Tragicamente, não resistiu a uma tempestade violentíssima e afundou-se, com a sua carga preciosa. Reza a lenda que o povo que habitava a pequena ilha de Anguilla foi escravizado por causa do tesouro que possuíam e a que curiosamente davam pouca importância. Muitos dos objectos do dia-a-dia eram de ouro, sendo o garimpo e o trabalho em ouro o seu passatempo preferido. Simplesmente desconheciam o seu verdadeiro valor, pois pouco contactavam com outras civilizações.

Quando o seu tesouro foi descoberto, foi cobiçado e todo o povo de Anguilla foi escravizado. Diz-se que ao perceberem a razão do que estava a acontecer, os homens da tribo amaldiçoaram todo o tesouro e a verdade é que grande parte dele foi perdido nas inúmeras tentativas de o retirar de Anguilla.

O tesouro que restava, encontrava-se em instalações temporárias, que se tornaram definitivas. O seu estado era decrépito e o número de visitantes extremamente reduzido. A maior parte estava catalogada, mas o isolamento do local nunca permitira estudos aprofundados.

O Quetzal tinha por missão a retirada do restante tesouro da ilha. Os organizadores desta missão não acreditavam nem queriam saber de maldições, mas simplesmente tudo correu mal.

Entra agora em acção o Arianne II, um submarino arqueológico, que já mergulhou nas águas mais profundas, escuras e estranhas desde planeta, para recuperar o tesouro agora perdido.

Que a sua sorte seja melhor que a do Quetzal!

Os vencedores da regata

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Foi a mãe que empurrou a Natália e o Jorge para a vela. Cansada de os ter sempre agarrados às pernas dela e de que só molhassem os dedos dos pés nas férias de Verão passadas na praia, arrancou-os da cama num Domingo de manhã depois da escola começar e largou-os na mão do Pedro, o instrutor.

A partir daí, os Domingos foram uma luta: eles, que não queriam ir e a mãe sempre a insistir que sim. Até ao dia em que num dia de vento particularmente difícil os irmãos tiveram que se desenrascar enquanto o Pedro dava uma ajuda a outra embarcação que entretanto virara.

Os irmãos primeiro ficaram meio aterrados, mas a verdade é que começaram a pôr em prática o que sabiam e as coisas correram tão bem, que ainda ajudaram outros companheiros. O Pedro percebeu nesse dia que talvez os irmãos tivessem um futuro promissor e foi exigindo mais um bocadinho deles.

Hoje, os irmãos venceram a "Regata da Baía". Receberam o troféu das mãos do Capitão do Porto e a mãe estava na primeira fila a tirar a fotografia.

Sailors

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Pela mão do avô pisaram pela primeira vez descalços as pedras húmidas do cais. Foi a voz ríspida do avô que os ensinou a caçar as velas e a ter atenção à retranca sempre que a embarcação mudava de direção. Foi a paixão do avô pelo mar que se infiltrou em cada pedaço do seu corpo e os fez dizer desde pequeninos, que queriam ser marinheiros. Foi o olhar apaixonado do avô que lhes mostrou a beleza do mar, fosse dia de sol ou de temporal. Em bebés, muitas foram as noites em que só o avô os conseguia adormecer quando enroscados uns nos outros, no fundo do barco, eram embalados pelas ondas do mar. 

Hoje terminaram o seu curso na Escola Naval, ambos com a melhor nota da sua turma. Hoje são marinheiros e estão prestes a viver a sua vida como sempre quiseram: a balouçar nas ondas do mar.